31 de ago de 2007

Minha doce infância ...

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MEUS OITO ANOS
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Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!
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Como são belos os dias
Do despontar da existência!
— Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é — lago sereno,
O céu — um manto azulado,
O mundo — um sonho dourado,
A vida — um hino d'amor!
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Que aurora, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d'estrelas,
A terra de aromas cheia
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!
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Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minhã irmã!
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Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Da camisa aberta o peito,
— Pés descalços, braços nus
—Correndo pelas campinas
A roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!
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Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo.
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!

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Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
— Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
A sombra das bananeiras
Debaixo dos laranjais!
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Casimiro de Abreu
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30 de ago de 2007

Alfredo Volpi ...

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Alfredo Volpi - Rua do subúrbio
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No Blog do NOBLAT !

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Já comentei com vocês que eu tenho um blog que leva a escritora Cecília Meireles para as crianças. Ele foi indicado pelo jornalista Ricardo Noblat para participar da seção "Vale a pena acessar".
Vou confessar para vocês que O MUNDO ENCANTADO DE CECÍLIA MEIRELES me faz um bem enorme. Perceber o interesse e o envolvimento das crianças pela leitura e pela escrita é um verdadeiro presente.
Estou muito feliz, honrada e agradecida com essa indicação .
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25 de ago de 2007

Oscar Niemeyer ...

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Memorial da América Latina (Esboço)
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"(...) não sou tão ingênuo para seguir os que dão aos que fazem importância extraordinária e se julgam predestinados, prontos a entrar na história. Sou realista e sei muito bem como as coisas são precárias e ilusórias diante do tempo que tudo vai diluir e esquecer."
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Oscar Niemeyer
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O leitor e o livro ...

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Anne Anderson Smith - 1935
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23 de ago de 2007

Manoel de Barros ...

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O rio que fazia uma volta atrás de nossa casa era a
imagem de um vidro mole que fazia uma volta atrás de casa.
Passou um homem depois e disse: Essa volta que o
rio faz por trás de sua casa se chama enseada.
Não era mais a imagem de uma cobra de vidro que
fazia uma volta atrás de casa.
Era uma enseada.
Acho que o nome empobreceu a imagem.
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Manoel de Barros
( O Livro das Ignorãças )
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21 de ago de 2007

Niemeyer ...

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Fotografia de Leonor Cordeiro
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Não é o ângulo reto que me atrai.
Nem a linha reta, dura, inflexível,
criada pelo homem.
O que me atrai é a curva livre e sensual.


A curva que encontro nas montanhas
de meu país,
no curso sinuoso de seus rios,
nas ondas do mar,
no corpo da mulher preferida.
De curvas é feito todo o universo.
O Universo curvo de Einstein.

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Portinari ...

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Portinari - Meninos soltando papagaios .
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20 de ago de 2007

Uma carta ...

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Carta escrita por Federico García Lorca ao amigo Melchor Fernández Almagro, leiloada na Christie’s de Londres por 28400 euros.

Um pequeno trecho:
"Quero ser um poeta por completo, amanhecido pela poesia e morto pela poesia. Uma alta consciência da minha obra futura se apodera de mim e um sentimento quase dramático da minha personalidade me paralisa (...) "
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Detalhe do desenho:

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18 de ago de 2007

Canção da mulher que escreve

(Sobre o escrever...)
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Gerard Terborch - 1655
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. Não perguntem pelo meu poema:
Nada sei do coração do pássaro
Que a música inflama.
Não queiram entender minhas palavras:
Não me dissequem, não segurem entre vidros
Essas canções, essas asas, essa névoa.
Não queiram me prender como a um inseto
No alfinete da interpretação:
Se não podem amar o meu poema, deixem
Que seja somente um poema.
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Lya Luft
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17 de ago de 2007

Fala Cecília !

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Almeida Júnior - Saudades
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"Jogai para longe os vossos sapatos com a poeira de tanto andar,
e os vossos lenços com lágrimas de tanto adeus."

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Cecília Meireles

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Narciso e o Caracol

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Recebi da querida Jussara Pimenta :.
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Rodai o zodíaco,
fazei girar a rosa-dos-ventos,
sacudi a ampulheta,
gastai calendários,
despojai primaveras e enfeitai outonos,
matai luas e ressuscitai luas,
trazei pessoas,
levai fantasmas,
descei e subi rios,
atravessai a terra em longo e largo,
levantai cidades e castelos de cartas,
misturai as flores dos caleidoscópios,
fechai os olhos,
abri e fechai janelas,
portas,
palavras...
Jogai para longe os vossos sapatos com a poeira de tanto andar,
e os vossos lenços com lágrimas de tanto adeus.
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Cecília Meireles em "Narciso e o Caracol", crônica publicada no jornal "A Manhã" em 30/10/1941, incluída no vol.1 das "Obras em Prosa" ..
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Projeto VAI E VEM !

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A cidade de Sorocaba no interior de São Paulo está incentivando a sua população a desenvolver o hábito da leitura através do Projeto Vai e Vem idealizado pela Secretaria Municipal de Cultura.
Foi instalado no Terminal Santo Antônio, o principal do sistema público de transporte da cidade, um posto avançado da biblioteca municipal para atender a população sem nenhuma burocracia.
Qualquer cidadão pode levar um livro para casa sem a necessidade de apresentar documentos ou preencher cadastros.
O projeto estimula a leitura e a responsabilidade pois não havendo cadastro, as pessoas é que vão optar pela devolução do livro .
Parabéns Sorocaba !
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O leitor e o livro ...

O leitor e o livro ...
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Berthe Morisot - 1869
A mãe e a irmã do artista
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sarau lítero-musical

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CHAMA POÉTICA
sarau lítero musical
- Raízes -
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Música
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No mesmo barco
Jane Santos
Philipe Antunes
Cristina Pini
O Zi
Mariana
Avena
Susie Mathias
Aurora Maciel
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Declamação
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Fernanda Almeida Prado
Marcel Veiga
Moreira de Acopiara
Ligia Terezinha Pezzuto
Delmo Biuford
Ruy Mendes
Cássio Junqueira
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Direção
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Fernanda Almeida Prado
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Design
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Débora Bertoncelo
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SESC IPIRANGA
Rua Bom Pastor, 822
São Paulo
dia 18 de Agosto às 18:00h
área de convivência
gratuíto
telefone: 11 3340-2000
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13 de ago de 2007

Paixão

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PAIXÃO
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O poeta rasga as vestes
no centro
do país
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Sai descalço profeta
e põe a boca no trombone
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O poeta rasga o verbo
e fala fala tropeçado esganado
com pressa
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a cada notícia de nossa incrível desumanidade
um incêndio particular
o consome
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O poeta está louco com a loucura desses tempos.
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Feito um Jesus,sobe a montanha.
e o Cristo Redentor tem pena:
declama para ele
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versos de Amor .
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Irene Vieira
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11 de ago de 2007

7 de ago de 2007

Jan Davidsz de Heem ...

O leitor e o livro
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Jan Davidsz de Heem
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Há livros que se nos agarram à pele uma vida inteira.
Outros deixam-se escorregar no silêncio.

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5 de ago de 2007

A onda

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A onda
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a onda anda
aonde anda
a onda?
a onda ainda
ainda onda
ainda anda
aonde?
aonde?
a onda a onda
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Manuel Bandeira
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3 de ago de 2007

Sobre o escrever ...

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O pior é quando você termina um capítulo e a máquina de escrever não aplaude.
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Orson Welles
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2 de ago de 2007

Guignard...

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Alberto da Veiga Guignard
- Paisagem Imaginária de Minas -
Museu da Inconfidência, Ouro Preto, 1947
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Encomenda

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Desejo uma fotografia
como esta - o senhor vê - como esta:
em que para sempre me ria
como um vestido de eterna festa.
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Como tenho a testa sombria,
derrame luz na minha testa.
Deixe esta ruga, que me empresta
um certo ar de sabedoria.
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Não meta fundos de floresta
nem de arbitrária fantasia...
Não... Neste espaço que ainda resta,
ponha uma cadeira vazia.
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Cecília Meireles
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Minha infância ...

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(...) Minha infância de menina sozinha deu-me duas coisas que parecem negativas, e foram sempre positivas para mim: silêncio e solidão. Essa foi sempre a área de minha vida. Área mágica, onde os caleidoscópios inventaram fabulosos mundos geométricos, onde os relógios revelaram o segredo do seu mecanismo, e as bonecas o jogo do seu olhar. Mais tarde foi nessa área que os livros se abriram, e deixaram sair suas realidades e seus sonhos, em combinação tão harmoniosa que até hoje não compreendo como se possa estabelecer uma separação entre esses dois tempos de vida, unidos como os fios de um pano."
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Cecília meireles
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1 de ago de 2007

Pequena história de luz

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não sei dos amores
das estrelas
e desconheço
os sonhos de inverno
das árvores
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ainda assim
quando o silêncio
ecoa nas minhas folhas
há palavras
que brilham em mim
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Nel Meirelles
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