20 de set de 2007

Chama Poética ...

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.Sarau Chama Poética - Ecos e Eros - 22 de setembro
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programação Ecos e Eros
Abertura:

Fernanda Almeida Prado
Marcelo Tápia e Daniel Tápia
.Música grega
Leitura de poemas :
Frederico Barbosa
Intérprete:
Marcelo Ferreti
.Noite Branca - Tobias Luz/Frederico Barbosa
Intérprete:
.Malungo
.Pedra Insone - Frederico Barbosa/Malungo
Intérprete:
Elisa Gatti
.Nós Paisagem (Elisa Gatti/Frederico Barbosa)
Intérprete:
Malungo
.Desexistir (Frederico Barbosa/Malungo)
Leitura de poemas:
Eduardo Lacerda
Intérprete:
Reynaldo Bessa
.Cartas de Amor(Fabrício Carpinejar/Reynaldo Bessa)
.Esfinge (Reynaldo Bessa)
.Por amor (Zé Rodrix/ Reynaldo Bessa)
Leitura de poemas:
Donny Correa
Leitura de poemas:
Marcelo Tápia
Músicas:
Marcelo Tápia e Daniel Tápia
Modinha (H. Villa-Lobos - (Manduca Piá)...Manuel Bandeira)
Desejo (H. Villa-Lobos - Guilherme de Almeida)
Canção marinha (Marcelo Tupinambá - Mário de Andrade)
Melodia sentimental (H. Villa-Lobos - Dora Vasconcellos)
Intéprete:
Miriam Samorano
.Samba de uma nota só (Tom Jobim e Newton Mendonça)
.Lígia (Tom Jobim)
.Coração de violeiro (Alvarenga e Ranchinho)
Intérprete:
Neno Miranda
.Nós dois (Neno Miranda)
.Água e Palavras (Neno Miranda)
.Qualquer Verão (Neno Miranda)
Leitura de poemas:
Fernanda Almeida Prado
Ozias Stafuzza
Intérprete:
O tambor tá me chamando-
Gilberto Gasparetto,Jonathan Silva,
Karina Ninni,Lucas Brogiolo
.Sabiá (domínio público)
.Ô Maria ( domínio público)
.São João Batista ( domínio público)
Leitura de poemas:
Cássio Junqueira
Intérprete:
O Zi e Cris Pini
.A primavera (Carlos Lyra e /Vinicius de Moraes )
Intérprete:
Cris Pini
.Meditação (Tom Jobim e Newton Mendonça)
Intérprete:
Aurora Maciel
.Vira virou (Kleiton e Kleidir)
.Primavera (Tim Maia)
Direção:
Fernanda Almeida Prado
design:
débora bertoncelo
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SESC IPIRANGA
Rua Bom Pastor, 822
dia 22 de Setembro às 18:00h
área de convivência
gratuíto
telefone: 11 3340-2000
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16 de set de 2007

Entrevista com Ronaldo Simões Coelho

(Entrevista postada originalmente no meu blog

Onde você nasceu e como era a sua cidade?
Nasci em São João del-Rei, MG, há 75 anos. Cidade histórica, berço de Tiradentes, o herói da Inconfidência Mineira. Mas de muita gente mais, como Basílio de Magalhães (grande historiador, membro do IHG, um sábio), o inventor da Cera Dr. Lustosa (que curava dor de dente há mais de 100 e continua curando), do inventor do tinteiro econômico (Dr. José Viegas, que era dentista e ator de teatro), de um dos maiores violoncelistas do mundo, Santiago Sabino (da Filarmônica Real, em Londres), de dom Lucas Moreira Neves (que poderia ser papa), de Alexina Pinto (que foi a primeira folclorista do país) e muitos outros.
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Como foi a sua infância ?
Sete irmãos, casa cheia, árvores, bichos, brinquedos, primos, tios, avós, visitas, amigos, um mundão de gente. Fogão de lenha, forno de cupim, comidas deliciosas, cheiros bons de tudo, brincadeiras (pião, papagaio, mágicas, pique, cabra-cega, carniça, futebol, gude, natação, faroeste, xadrez, dama, tudo bom demais). E as férias na terra de minha mãe, Prados (cidade de 3000 habitantes, metade de músicos), onde havia os anões da Terra Caida, o Tarola, o Três Orelhas, o homem da mão postiça , a velha careca, o cavalo da meia noite, as festas da semana santa e do carnaval, os circos. E cinema, seriados com Capitão Marvel (SHAZAM!) e tantos outros heróis. E livros e mais livros e contação de histórias.
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Como era a escola onde você estudou?
Quando entrei para o grupo escolar onde meus irmãos tinham estudado, Grupo Escolar Maria Teresa, tinha coisa boa (canjica de amendoim, por exemplo) e coisa ruim (o chamado auditório, que era uma reunião pra falar bem do ditador Getulio Vargas). Até hoje muitas das minhas professoras são minhas amigas, me visitam, lêem meus livros, adoro todas elas.
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Quais eram os livros que você gostava de ler ?
Li o Tesouro da Juventude dos 9 aos 12 anos. A biblioteca lá de casa era enorme. E havia a cem metros a biblioteca pública, onde um sábio, músico e sapateiro (como o pai de Andersen), me iniciou em Dom Quixote e outros clássicos. E Erico Veríssimo, Monteiro Lobato, aventuras de Tarzan, tudo que passasse pela minha frente.
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Quando você era criança, já sonhava em ser escritor?
Sempre quis ser médico e escritor. Consegui.
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Quando você começou a escrever ?
Desde que aprendi a ler e a escrever. Minha primeira história eu escrevi aos 7 anos. Era sobre uma tico-tico chocando ovo da pássaro preto. Nunca a publiquei.
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Qual foi o primeiro livro que você escreveu?
O primeiro livro publicado foi “Dois embaixo e um em cima” –hoje esgotado-que vai ser reeditado, sobre um macaco em via de extinção, o monocarvoeiro.
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Por que você escreve?
Porque tenho 7 filhos e vivia contando histórias para eles e um dia minha filhinha falou “pai, para de contar de contar e vai escrever antes que você esqueça da história”.
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Alguma história que você escreveu já aconteceu de verdade?
A maior parte. Tia Delica é sobre minha tia-avó, uma fada que morou lá em casa; o Tico-tico da perna quebrada foi porque cheguei em casa e meu caçula estava chorando de dor com a perna quebrada e assim muitos outros.

Qual o poema de Cecília Meireles de que você mais gosta?
Tudo de “Ou isto ou aquilo”. Adoro também Celina Ferreira, infelizmente pouco conhecida, mas elogiada por Drummond, Bandeira, Guignard e tantos outros.

Celina Ferreira


O que você gostaria de falar para as crianças que freqüentam esse blog?
Que, se pudesse, ia ser sempre criança.

Ronaldo com um grupo de crianças
(Fotografia de Claudio Marcio Lopes)

12 de set de 2007

Konstantin Makovsky ...

O leitor e o livro ...

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Konstantin Makovsky
Retrato de Julia Makovskaya- 1881
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Ah! Mar ...

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Vladimir Kush
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"Eu crescia marinheiro em terra seca onde antes estava o mar, carregando o amor entre pálpebras - conchas guardando sonhos.E pelas pernas eu me prendia nos galhos das goiabeiras, tomando o céu por mar. Naufragado com as montanhas, eu me via marinheiro morto."
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Ah! Mar ...
Editora RHJ
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9 de set de 2007

O olho de vidro do meu avô ...

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"Meu pai dirigia um caminhão muito grande e bonito. Viajava para longe, levando manteiga para as cidades que só produziam pão. Bom Destino tinha pão e manteiga. Passava dias distantes e voltava trazendo uma carroceria de notícias. Eu ficava impressionado como era grande o mundo do meu pai. Ele colocava um travesseiro sobre seus joelhos, me assentava em cima e me entregava o volante para eu dirigir. Naquele tempo eu não sabia nem frear meus pensamentos. Tinha só duas pernas; imagina dirigir um caminhão com dez rodas. Depois, como seria possível eu aprender a dirigir, se minha alegria eram as paisagens! No caminhão havia um espelho de lado. Eu apreciava ver meu pai olhando para a frente e correndo os olhos sobre o que estava atrás. Nesses momentos ele possuía muitos olhares."
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O olho de vidro do meu avô
Bartolomeu Campos de Queirós
Editora Moderna
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7 de set de 2007

Bartolomeu Campos de Queirós ...

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Renoir

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"Um dia fiz uma redação sobre o mundo verde e o mundo azul. Mostrei para meu pai, na certeza de estar no caminho do encontro. Ele não entendeu nada nem me disse estar no caminho da gratidão. Cheguei a desconfiar ser a gratidão uma coisa pequena que se guardava no bolso ou debaixo do travesseiro junto com o papel da maça. Eu tinha a palavra, mas não sabia onde estava o significado."
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Ler, escrever e fazer conta de cabeça
Global Editora
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6 de set de 2007

Bartolomeu Campos de Queirós...

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"Minha mãe matava patos brancos, com faca amolada. Deixava as asas abertas com penas secando no sol. Gastava dias para o vento carregar todo o cheiro. Depois amarrava as asas nas costas da minha irmã e ela virava anjo. Para ser anjo só depende dos patos, eu falava. Todo anjo é um pato."
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Bartolomeu Campos de Queirós
Sem palmeira ou sabiá
Editora Peirópolis
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3 de set de 2007

impressão digital

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Pedro Peralta
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impressão digital
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após todos os fins
nasço:
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nos escombros do muro,
das torres,
do mundo.
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Eu,
rascunho permanente,
de um já escrito
epitáfio. .
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2 de set de 2007

2 de setembro: mais um novo ano ...

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Aniversário

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No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,

Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.
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No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,

Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.
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Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,

O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho... )
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!
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O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,

Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme
através das minhas lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...
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No tempo em que festejavam o dia dos meus anos ...

Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!
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Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...

A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça,
com mais copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas, o resto na sombra
debaixo do alçado —,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos. . .
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Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira! ...
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O tempo em que festejavam o dia dos meus anos ! ...

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Álvaro de Campos

1 de set de 2007

Marc Chagall ...

O leitor e o livro ...
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Marc Chagall - Rabbi the Pinch of Snuff
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Anteprojeto

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Wyeth Winter
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Anteprojeto
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carrego n'alma
um domingo com a filha que terei
a velhice na cama dividida
o horizonte concluído da janela
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mas um escorpião tem medo de fogo
em meu sangue
dança e derruba sua peçonha de 4 patas
que me põe de pé quando sou homem
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e eu sou mais veneno
que paisagem
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