30 de abr de 2009

A poesia é um segredo dos deuses?

(origem da imagem : Cronópios )
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A poesia é um segredo dos deuses?

O seguinte artigo foi publicado na minha coluna da Folha de São Paulo, sábado, 19 de maio:

NUMA MESA-REDONDA de que participei recentemente, no encontro de escritores que tem lugar anualmente em Póvoa de Varzim, no norte de Portugal, o tema proposto para discussão foi: "A poesia é um segredo dos deuses".
A propósito desse assunto, lembro que João Cabral dividia os poetas entre aqueles que tinham a poesia espontaneamente, como presente dos deuses, e aqueles -entre os quais ele mesmo se situava- que a obtinham após uma elaboração demorada, como conquista humana.
Ora, o tema da nossa mesa havia sido proposto tanto para deixar à vontade os poetas do primeiro grupo, isto é, os que acreditam na inspiração, quanto para provocar os do segundo, isto é, os que não acreditam nela, de maneira que uns e outros se sentissem livres para expor as suas poéticas divergentes.
Quanto a mim, não sinto que caiba inteiramente em nenhum desses dois grupos. Certamente considero uma tolice pensar que a poesia seja pura inspiração, pura dádiva dos deuses; mas penso que há também um quê daquela violência que os gregos chamavam de "húbris", um quê de insolência e arrogância na tese de que ela seja o resultado plenamente consciente e calculado do trabalho.
A inspiração é o nome que damos à contribuição indispensável do incalculável, do inconsciente, do acaso e mesmo do equívoco à elaboração do poema. Nenhum grande poeta -nem mesmo João Cabral- jamais pôde deixar de se fazer disponível e receptível à irrupção dessas gratas e imprevisíveis contribuições. "A arte ama o acaso", diz Aristóteles, com razão, "e o acaso, a arte". E o acaso e a arte se encontram inextricavelmente entrelaçados na feitura do poema.
A tal ponto isso me parece verdade que não acho muita graça nas boutades segundo as quais a poesia seria 10% inspiração e 90% transpiração. Por quê? Porque elas sugerem a idéia comum e equivocada de que o poeta tem, em primeiro lugar, a inspiração, para depois ter o trabalho de desenvolvê-la e poli-la.
Ora, penso que é justamente durante o trabalho, na busca de alternativas ao imediato e fácil, ou na tentativa de solucionar problemas criados pelo desenvolvimento do próprio poema, que a inspiração é mais solicitada e bem-vinda; e, por sua vez, a incorporação do impremeditado ao poema exige sempre uma nova elaboração, de modo que jamais se pode saber ao certo quanto do resultado final se deve à inspiração ou ao trabalho.
O fato é que a mim são muito simpáticos os deuses que representam as fontes de inspiração dos poetas, como Apolo e as Musas. A estas, aliás, já dediquei, em gratidão, pelo menos um dos poemas que fiz. Entretanto, dado que também reconheço o papel indispensável do trabalho consciente na produção dos poemas, não acho correto dizer que a poesia seja um presente delas.
E, por duas razões, parece-me claro que a poesia não pode ser um segredo dos deuses. A primeira é que a poesia é um fenômeno humano, demasiadamente humano. Longe de consistir numa atividade puramente racional, ela lida com o que é particular, finito, humano. Ela usa palavras particulares de línguas particulares, finitas, humanas. Ela lida com a morte, a paixão, a perda, a ilusão, a esperança, o medo, a imaginação, o cômico, o trágico etc., que são realidades particulares, finitas, humanas.E a própria beleza da poesia é encarnada, sensual, particular, finita, humana. Os deuses -imortais, olímpicos, abençoados, oniscientes- não entenderiam tais coisas ou as desprezariam, pois se encontram muito acima delas. Conhecendo a poesia, o ser humano conhece uma maravilha que nenhum deus é capaz de conhecer.
Ademais, a poesia não pode ser um segredo, nem dos deuses, nem dos homens, nem mesmo do ponto de vista lógico. Por quê? Porque um segredo é algo que, em princípio, poderia ser revelado. Por exemplo, a fórmula de uma bomba ou a receita de um doce podem ser segredos, porque podem, em princípio, ser revelados. Se alguém diz que sabe um segredo, mas que não seria capaz de revelá-lo de modo nenhum, essa pessoa está mentindo.
Um segredo tem que ser conhecido ao menos por uma pessoa ou um deus. Ora, é possível fazer um bom poema, mas não é possível, nem em princípio, saber como deve ser um poema, para ser bom. Essa é, na verdade, uma das poucas certezas que um poeta pode ter: é absolutamente inconcebível que haja fórmulas, receitas ou segredos -divinos ou humanos- para a feitura de um bom poema. Logo, a poesia não é um segredo dos deuses.
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GUARDAR


. Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.
Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por
admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.
.Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por
ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
isto é, estar por ela ou ser por ela.
Por isso melhor se guarda o vôo de um pássaro
Do que um pássaro sem vôos.
Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,
por isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema:
Por isso o lance do poema:
Por guardar-se o que se quer guardar.

Antonio Cicero

29 de abr de 2009

Longa é a arte, tão breve é a vida...

Reunião na casa da Fernanda: alegria, amizade e poesia !

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Minha querida amiga Fernanda de Almeida Prado, filha do poeta Antonio Lázaro de Almeida Prado, continua levando poesia e ótima música para um público cada vez maior que frequenta a Casa das Rosas e o Museu da Língua Portuguesa através do Chama Poética, sarau que organiza com carinho e competência.
A revista “Veja São Paulo” do último dia 29, destacou o Chama Poética como um dos saraus que oferece à cidade de São Paulo um verdadeiro oásis cultural.
No dia 3 de maio, o Chama Poética estará presente na Virada Cultural 2009:
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26 de abr de 2009

Vida longa para minha amada biblioteca !!!

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Um problema que enfrento em tempos de residências minúsculas, é encontrar um lugar para minha biblioteca. O espaço que geralmente é usado como sala de TV em minha casa não existe. O barulho dos comerciais é trocado pelo ilusório silêncio das estantes. Num tempo onde é cada vez mais raro encontrar uma casa que abrigue uma biblioteca, a minha continua a ser o meu verdadeiro abrigo .
Por tudo isso, mesmo sendo adepta dos tempos modernos e desfrutando com alegria desse mundo informatizado, ao ler essa reflexão de Humberto Eco, senti um certo orgulho da minha velha e por enquanto sólida biblioteca:
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Sobre a efemeridade das mídias

(The New York Times)
Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves .

No encerramento da Escola para Livreiros Umberto e Elisabetta Mauri, em Veneza, falamos, entre outras coisas, sobre a efemeridade dos suportes da informação. Foram suportes da informação escrita a estela egípcia, a tábua de argila, o papiro, o pergaminho e, evidentemente, o livro impresso. Este último, até agora, demonstrou que sobrevive bem por 500 anos, mas só quando se trata de livros feitos de papel de trapos. A partir de meados do século 19 passou-se ao papel de polpa de madeira, e parece que este tem uma vida máxima de 70 anos (com efeito, basta consultar jornais ou livros dos anos 1940 para ver como muitos deles se desfazem ao ser folheados).
Portanto, há muito tempo se realizam congressos e se estudam meios diferentes para salvar todos os livros que abarrotam nossas bibliotecas: um dos que têm maior êxito (mas quase impossível de realizar para todos os livros existentes) é escanear todas as páginas e copiá-las para um suporte eletrônico.
Mas aqui surge outro problema: todos os suportes para a transmissão e conservação de informações, da foto ao filme cinematográfico, do disco à memória USB que usamos no computador, são mais perecíveis que o livro. Isso fica muito claro com alguns deles: nas velhas fitas cassete, pouco tempo depois a fita se enrolava toda, tentávamos desemaranhá-la enfiando um lápis no carretel, geralmente com resultado nulo; as fitas de vídeo perdem as cores e a definição com facilidade, e se as usarmos para estudar, rebobinando-as e avançando com frequência, danificam-se ainda mais cedo.
Tivemos tempo suficiente para ver quanto podia durar um disco de vinil sem ficar riscado demais, mas não para verificar quanto dura um CD-ROM, que, saudado como a invenção que substituiria o livro, saiu rapidamente do mercado porque podíamos acessar online os mesmos conteúdos por um custo muito menor. Não sabemos quanto vai durar um filme em DVD, sabemos somente que às vezes começa a nos dar problemas quando o vemos muito. E igualmente não tivemos tempo material para experimentar quanto poderiam durar os discos flexíveis de computador: antes de podermos descobrir foram substituídos pelos CDs, e estes pelos discos regraváveis, e estes pelos "pen drives".
Com o desaparecimento dos diversos suportes também desapareceram os computadores capazes de lê-los (creio que ninguém mais tem em casa um computador com leitor de disco flexível), e se alguém não copiou no suporte sucessivo tudo o que tinha no anterior (e assim por diante, supostamente durante toda a vida, a cada dois ou três anos), o perdeu irremediavelmente (a menos que conserve no sótão uma dúzia de computadores obsoletos, um para cada suporte desaparecido).
Portanto, sabemos que todos os suportes mecânicos, elétricos e eletrônicos são rapidamente perecíveis, ou não sabemos quanto duram e provavelmente nunca chegaremos a saber. Enfim, basta um pico de tensão, um raio no jardim ou qualquer outro acontecimento muito mais banal para desmagnetizar uma memória. Se houvesse um apagão bastante longo não poderíamos usar nenhuma memória eletrônica.
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(Continue essa leitura em : UOL Notícias )

23 de abr de 2009

Dia Mundial do Livro e dos Direitos Autorais

O Dia Mundial do Livro e dos Direitos Autorais foi criado pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura – UNESCO, em 1995.
Para a comemoração desse ano, estão sugerindo que seja explorado o vínculo entre o livro e a educação, com ênfase sobre o papel do livro no desenvolvimento de uma educação de qualidade e sua relação com os direitos humanos.


Como desde o ano passado divido a minha moradia entre Belo Horizonte e Ribeirão Preto, gostaria de participar dessa comemoração nesses dois lugares. Faria uma verdadeira dobradinha no velho estilo “ café com leite” saboreando com o maior prazer a programação cultural preparada por mineiros e paulistas.
Convite que chegou de Ribeirão:
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A festa em Ribeirão Preto já fez história, a cada ano envolve um número ainda maior de pessoas, que desejam celebrar a data trocando flores e livros, inspiradas numa tradição vinda da Catalunha. Em vários pontos da cidade haverá contação de histórias, clubes de leituras, declamações de poesias, música ao vivo, ações de incentivo ao livro e a leitura.
Segundo Galeno Amorim, idealizador da festa em Ribeirão, mais do que celebrar o livro o evento busca ressaltar a importância da leitura na vida das pessoas e da sociedade. “Os livros realmente podem transformar o mundo, resgatar valores imprescindíveis para o ser humano e ainda proporcionar conhecimento, cultura e prazer”.

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Para a turma de BH, o "SEMPRE UM PAPO", preparou uma festa pra mineiro nenhum botar defeito. Nessa quinta feira, “SÃO JORGE DE LIVROS E ROSAS” tomará conta da Praça da Liberdade :
"Em comemoração ao Dia do Livro e dos Direitos do Autor, o “Sempre um Papo” convida para o “São Jorge de Livros e Rosas”, uma festa generosa e solidária, onde as pessoas trocam livros por rosas. No 13º ano de realização, o evento já faz parte do calendário oficial da cidade, com uma belíssima programação cultural: Tambor Mineiro (com a presença de Maurício Tizumba), banda Rosa Crioula, grupo de dança Los Del Rocio, participação de Tutty Maravilha, sorteio de livros, além de uma grande surpresa na ambientação, feita pelo mestre festeiro Léo Piló. Em sintonia com a preservação do planeta, as 100 primeiras pessoas que doarem livros vão receber, além de rosas, bolsas recicladas artesanais. No dia 23 de abril, quinta-feira, de 18h às 21h, na Praça da Liberdade."


Não sei se conseguirei passar esse final de semana entre Ribeirão e BHorizonte, não importa o lugar, sempre haverá um bom livro por perto.

21 de abr de 2009

Romanceiro da Inconfidência

Museu da Inconfidência - Ouro Preto
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ROMANCE XXIV OU
DA BANDEIRA DA INCONFIDÊNCIA

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ATRAVÉS de grossas portas,
sentem-se luzes acesas,
- e há indagações minuciosas
dentro das casas fronteiras:
olhos colados aos vidros,
mulheres e homens à espreita,
caras disformes de insônia,
vigiando as ações alheias.
Pelas gretas das janelas,
pelas frestas das esteiras,
agudas setas atiram
a inveja e a maledicência.
Palavras conjenturadas
oscilam no ar de surpresas,
como peludas aranhas
Na gosma das teias densas,
rápidas envenenadas,
engenhosas, sorrateiras.
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Atrás de portas fechadas,
à luz de velas acesas,
brilham fardas e casacas,
junto com batinas pretas.
E há finas mãos pensativas,
entre galões, sedas, rendas,
e há grossas mãos vigorosas,
de unhas fortes, duras veias,
e há mãos de púlpito e altares,
de Evangelhos, cruzes, bênçãos.
Uns são reinóis, uns, mazombos;
e pensam de mil maneiras;
mas citam Vergílio e Horácio,
e refletem, e argumentam,
falam de minas e impostos,
de lavras e de fazendas,
de ministros e rainhas
e das colônias inglesas.
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Atrás de portas fechadas,
à luz de velas acesas,
uns sugerem, uns recusam,
uns ouvem, uns aconselham.
Se a derrama for lançada,
há levante, com certeza.
Corre-se por essas ruas?
Corta-se alguma cabeça?
Do cimo de alguma escada,
profere-se alguma arenga?
Que bandeira se desdobra?
Com que figura ou legenda?
Coisas da Maçonaria,
do Paganismo ou da Igreja?
A Santíssima Trindade?
Um gênio a quebrar algemas?
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Atrás de portas fechadas,
à luz de velas acesas,
entre sigilo e espionagem,
acontece a Inconfidência.
E diz o Vigário ao Poeta:
“Escreva-me aquela letra
do versinho de Virgílio...”
E dá-lhe o papel e a pena.
E diz o Poeta ao Vigário, c
om dramática prudência:
“Tenha meus dedos cortados
antes que tal verso escrevam...”
LIBERDADE, AINDA QUE TARDE,
ouve-se em redor da mesa.
E a bandeira já está viva,
e sobe, na noite imensa.
E os seus tristes inventores
já são réus — pois se atreveram
a falar em Liberdade
(que ninguém sabe o que seja).
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Através de grossas portas,
sentem-se luzes acesas,
— e há indagações minuciosas
dentro das casas fronteiras.
“Que estão fazendo, tão tarde?
Que escrevem, conversam, pensam?
Mostram livros proibidos?
Lêem notícias nas gazetas?
Terão recebido cartas
de potências estrangeiras?”
(Antiguidades de Nimes
em Vila Rica suspensas!
Cavalo de La Fayette
saltando vastas fronteiras!
Ó vitórias, festas, flores
das lutas da Independência!
Liberdade – essa palavra,
que o sonho humano alimenta:
que não há ninguém que explique,
e ninguém que não entenda!)
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E a vizinhança não dorme:
murmura, imagina, inventa.
Não fica bandeira escrita,
mas fica escrita a sentença.
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Cecília Meireles
. OBRA POÉTICA – Volume Único, p. 451-452

19 de abr de 2009

19 de abril : Dia do Índio ?

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Perdidos no perdido
os filhos da terra
sem barco
sem arco
sem lança
sem onça
sem terra.
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Jogados no mundo
os filhos da terra.
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Só o silêncio dos deuses
pelos (des)caminhos.
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Canto mestizo. Maricá/RJ: Blocos Editora, 1999, p.50

18 de abr de 2009

18 de abril: Dia do Livro Infantil !

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Hoje, vemos por toda parte as brilhantes cores dos livros infantis atraindo leitores que antecipadamente vibram com as histórias ainda ocultas por detrás dessas vistosas figuras. Diríamos que tudo é novo, que os livros infantis se multipicaram imensamente... Mas aos poucos vemos que muitas dessas narrativas nos são há muito familiares, apenas um pouco desfiguradas, às vezes, pela redação ou apresentação. Haverá narrativas novas. Inspiradas muito de perto noutras que conhecemos. Haverá mais novas ainda, atuais e originais. Destas, a criança escolherá as que vão perdurar; as que se vão incorporar àquele tesouro que vem de longe. Outras, desaparecerão suavemente, depois de viverem seu precário momento, apesar de tantas cores, tantas ilustrações; às vezes, tanta propaganda, e até da animadora venda de algumas edições.
Os livros que mais têm durado não dispunham de tamanhos recursos de atração. Neles, era a história, relamente, que seduzia - sem publicidade, sem cartonagens vistosas, sem os mil recursos tipográficos que hoje solicitam adultos e crianças fascinando-os antes de se declararem, como um amor à primeira vista ...
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Cecília Meireles
Problemas da Literatura Infantil, Editora Nova Fronteira, p. 35-36
Pintura: Laura Muntz Lyall
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Oh! Bendito o que semeia

Livros ... livros à mão cheia ...

E manda o povo pensar!

O livro caindo n'alma

É gérmen – que faz a palma,

É chuva – que faz o mar.
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Castro Alves

(Do poema: O livro e a América)

16 de abr de 2009

Susan Boyle: uma voz derrubando o preconceito...


I Dreamed a Dream
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There was a time when men were kind
When their voices were soft
And their words inviting
There was a time when love was blind
And the world was a song
And the song was exciting
There was a time
Then it all went wrong
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I dreamed a dream in time gone by
When hope was high
And life worth living
I dreamed that love would never die
I dreamed that God would be forgiving
Then I was young and unafraid
And dreams were made and used and wasted
There was no ransom to be paid
No song unsung, no wine untasted
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But the tigers come at night
With their voices soft as thunder
As they tear your hope apart
And they turn your dream to shame
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He slept a summer by my side
He filled my days with endless wonder
He took my childhood in his stride
But he was gone when autumn came
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And still I dream he’ll come to me
That we will live the years together
But there are dreams that cannot be
And there are storms we cannot weather
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I had a dream my life would be
So different from this hell I’m living
So different now from what it seemed
Now life has killed the dream I dreamed.
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(do musical Les Miserables)
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Alvorada

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Quando você se sentir sozinho, pegue o seu lápis e escreva. No degrau de uma escada, à beira de uma janela, no chão do seu quarto. Escreva no ar, com o dedo na água, na parede que separa o olhar vazio do outro. Recolha a lágrima a tempo, antes que ela atravesse o sorriso e vá pingar pelo queixo. E quando a ponta dos dedos estiverem úmidas, pegue as palavras que lhe fizeram companhia e comece a lavar o escuro da noite, tanto, tanto, tanto... até que amanheça.

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14 de abr de 2009

Quintana...

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"...Não é que esteja bancando o modesto. Eu já disse uma vez que a modéstia é a vaidade escondida atrás da porta... Eu não sou modesto, sou isento de tudo. Se alguém me julga "genial", eu penso: está exagerando. Se alguém não me aceita, me escracha, eu acho que é burro. Fico sereno comigo. Isso me faz lembrar os versos de Cecília Meireles, que para mim é a maior poeta brasileira desta metade do século:
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Eu canto porque o momento existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
Sou poeta

..
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(Do livro de Giovanni Ricciardi: Auto-retratos)

13 de abr de 2009

Comemorando ...

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Tenho um blog que tem o objetivo de levar Cecília Meireles para as crianças e estimular nessas crianças o amor pela escrita e pela leitura.
No próximo dia 24 ele estará fazendo três aninhos.
Espero a sua visita !
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12 de abr de 2009

Ouvindo Adélia ...

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A glória de Deus é maior
que este avião no céu.
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Adélia Prado
(A faca no peito – p. 35)
Fotografia de Sissi.
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10 de abr de 2009

Rabiscos escritos na minha adolescência ...

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AS IGREJAS
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Minha mãe não era protestante, ficou depois que minha avó morreu. A última carta dizia: “Filha, precisamos acertar nossa vida com Deus”. Dito e feito, foi só a Vó Maria morrer, pra minha mãe ser batizada na Igreja Presbiteriana de Botucatu. Mas em Pacaembu não havia presbiterianos, por isso fazíamos uma verdadeira peregrinação pelas igrejas da cidade .
Domingo na Metodista, igreja da Docha, que era costureira e fazia um macarrão com batatinha que era uma delícia. Quinta na Assembléia de Deus: todo mundo falando junto na hora da oração. Terça na Cristã do Brasil, onde as mulheres vestiam roupas com mangas longas e gola alta. Igreja dividida em duas partes: à direita ficavam os homens, à esquerda as mulheres, nem os casados ou as crianças quebravam a tradição. Domingo a noite era a hora dos Batistas, igreja dos letos, da família Pappy. Eu gostava de recitar ali no Natal. Para chegarmos ao templo, passávamos pela casa da Dona Maria. A porta sempre aberta para refrescar a sala mostrava a pilha enorme de roupa que ela tinha que passar. Minha mãe parava e conversava um pouco. Eu pensava: “Acho que Dona Maria tem câncer ...”
Nunca fui à Igreja Católica .
Meu pai não entendia porque tanta beatificação. Mas minha mãe insistia: “Nada de festas, nada de bailes, nada de vestidos decotados, nada de whisky Cavalo Branco !” Eu só olhava e observava: como será Deus ...
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Leonor Cordeiro
(Pintura de Mantegna )

8 de abr de 2009

Às vezes

(Modigliani)
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Às vezes julgo ver nos meus olhos
A promessa de outros seres
Que eu podia ter sido,
Se a vida tivesse sido outra.
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Mas dessa fabulosa descoberta
Só me vem o terror e a mágoa
De me sentir sem forma, vaga e incerta
Como a água.
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Sophia de Mello Breyner Andresen
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6 de abr de 2009

Lille

O leitor e o livro...

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Lille

We went to sea for a day

He wanted to know what to say

When he's asked what he'd done

In the past to someone

That he loves endlessly

Now she's gone, so is he

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I went to war every morning

I lost my way but now I'm following

What you said in my arms

What I read in the charme

That I love durably

Now it's dead and gone and I am free

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I went to sleep for the daytime

I shut my eyes to the sunshine

Turned my head away from the noise

Bruise and drip decay of childish toys

That I love arguably

All our labouting gone to seed

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We went out to play for the evening

We wanted to hold on to the feeling

And the strech in the sun

And our breathlessness as we run

To the beach endlessly

As the sun creeps up on the sea

Lisa Hannigan

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