16 de dez de 2009

(sobre o escrever...)


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"Cada um escreve do jeito que respira. Cada um tem seu estilo. Devo minha literatura à asma."
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(Fabrício Carpinejar)

13 de dez de 2009

Poema da buganvília

(Fotografia de Rui de Camposinhos)
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Algum dia o poema será a buganvília
pendente deste muro da Calçada da Graça.
Produz uma semente que faz esquecer os jornais, o emprego e a família,
e além disso tudo atapeta o passeio alegrando quem passa.
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Mas antes desse dia há-de secar a buganvília
e o varredor há-de levar as flores secas para o monturo.
Depois cairá o muro.
E como o tempo passa
mesmo contra a vontade,
também há-de acabar a Calçada da Graça
e o resto da cidade.
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Então, quando nada restar, nem o pó de um sorriso
que é o mais leve de tudo que se pode supor,
será esse o momento de o poema ser flor,
mas já não é preciso.
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António Gedeão