30 de ago de 2010

Três dias com Guilherme de Almeida...

(terceiro dia)

Tony Ryder
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INTERIOR

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Havia uma rosa
no vaso. Veio do ocaso
a hora silenciosa.
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Guilherme de Almeida
in Encantamento, Acaso, Você. Editora UNICAMP, 2002, p.215

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29 de ago de 2010

Festival da Palavra

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(clique para ampliar)
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Festival da Palavra
UNESP Assis
dias 16 e 17 de setembro de 2010
Parceria UNESP Poiesis
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Idealizadores:
Mario Sergio Vasconcelos - UNESP Assis
Frederico Barbosa - Poiesis
Fernanda M. Bueno de Almeida Prado - Poiesis
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Mais informações no blog: FESTIVAL DA PALAVRA
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Três dias com Guilherme de Almeida...

(segundo dia)

Paul Cezanne
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O BOÊMIO

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Cigarro apagado
no canto da boca, enquanto
passa o seu passado.
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Guilherme de Almeida
in Encantamento, Acaso, Você. Editora UNICAMP, 2002, p.237
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27 de ago de 2010

Três dias com Guilherme de Almeida...

(primeiro dia)

Paul Sérusier
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PESCARIA.

Cochilo, Na linha

eu ponho a isca de um sonho.

Pesco uma estrelinha.

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Guilherme de Almeida

in Encantamento, Acaso, Você. Editora UNICAMP, 2002, p. 235


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25 de ago de 2010

Meus amigos blogueiros e as suas palavras...


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Poema em resposta as intempéries do vento


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Na terceira ordem do dia tu me disseste:
Vai, Assis, cumprir teus poemas em letargia
Eu pus palavras na algibeira e forjei um alforje
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Carregado de metalinguagem,
De girassóis e silêncio
De muitas repetições necessárias
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Para que o verso sempre soe diferente

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Assis Freitas

24 de ago de 2010

A um passarinho

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Para que vieste
Na minha janela
Meter o nariz?
Se foi por um verso
Não sou mais poeta
Ando tão feliz!
Se é para uma prosa
Não sou Anchieta
Nem venho de Assis .
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. Deixe-te de histórias
Some-te daqui!
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. Vinicius de Moraes
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in Poesia Completa e Prosa, Editora Nova Aguilar, Rio de Janeiro,1986, p. 201
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22 de ago de 2010

Éugenio...

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Que fizeste das palavras?

Que contas darás tu dessas vogais

de um azul tão apaziguado?

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E das consoantes, que lhes dirás,

ardendo entre o fulgor

das laranjas e o sol dos cavalos?

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Que lhes dirás, quando

te perguntarem pelas minúsculas

sementes que te confiaram?

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Eugénio de Andrade

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18 de ago de 2010

Três dias com Florbela Espanca e Marcos Assumpção...

Terceiro dia...









DESEJOS VÃOS
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Eu queria ser o Mar de altivo porte
Que ri e canta a vastidão imensa!
Eu queria ser a pedra que não pensa,
A pedra do caminho rude e forte!
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Eu queria ser o Sol, a luz imensa,
O bom do que é humilde e não tem sorte!
Eu queria ser a árvore tosca e densa
Que ri do mundo vão e até da morte!
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Mas o Mar também chora de tristeza…
As árvores também, como quem reza,
Abrem, aos Céus, os braços, como um crente!
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E o Sol altivo e forte, ao fim de um dia,
Tem lágrimas de sangue na agonia!
E as pedras… essas… pisa-as toda a gente! …



.Florbela Espanca


Site do Marcos Assumpção

17 de ago de 2010

Três dias com Florbela Espanca e Marcos Assumpção...

Segundo dia...







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Mentiras

Aí quem me dera uma feliz mentira
Que fosse uma verdade para mim!
J. Dantas
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Tu julgas que eu não sei que tu mentes
Quando o teu doce olhar pousa no meu?
Pois julgas que eu não sei o que tu sentes?
Qual a imagem que alberga o peito meu?
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Ai, se o sei, meu amor! Em bem distingo
O bom sonho da feroz realidade...
Não palpita d´amor, um coração
Que anda vogando em ondas de saudade!
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Embora mintas bem, não te acredito;
Perpassa nos teus olhos desleais
O gelo de teu peito de granito...
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Mas finjo-me enganada, meu encanto,
Que um engano feliz vale bem mais
Que um desengano que nos custa tanto!
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Florbela Espanca

Site do Marcos Assumpção.

15 de ago de 2010

Três dias com Florbela Espanca e Marcos Assumpção...

Primeiro dia...

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AMAR

Eu quero amar, amar perdidamente!

Amar só por amar: Aqui...além...

Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente

Amar! Amar! E não amar ninguém!

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.Recordar? Esquecer? Indiferente!...

Prender ou desprender? É mal? É bem?

Quem disser que se pode amar alguém

Durante a vida inteira é porque mente!.



Há uma Primavera em cada vida:

É preciso cantá-la assim florida,

Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

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E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada

Que seja a minha noite uma alvorada,

Que me saiba perder... pra me encontrar...

Florbela Espanca

Site do Marcos Assumpção

Poesia na vitrola...


Eu a viola e Deus ...

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8 de ago de 2010

Cassiano Ricardo...

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Oscar Pereira da Silva - Paisagem rural

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"Na minha memória anda um carro de bois a bater as porteiras da estrada..."
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Cassiano Ricardo
(Trecho de Café Expresso)


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7 de ago de 2010

As palavras

Jean Sebastien Monzani

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. São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.
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Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.
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Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.
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Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?
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Eugénio de Andrade
(De Coração do Dia )
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6 de ago de 2010

Hoje é dia do poeta do Bexiga !

Há cem anos nascia Adoniran Barbosa, o poeta do povo, o sambista dos excluídos.

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Continue vivo Adoniran, pegue o trem das onze e volte para casa!

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4 de ago de 2010

Maria Limeira...

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EXTINÇÃO
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Se um dia dizimarem
todos os tigres
da face da terra,
eu vou virar onça-pintada.
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(Maria José Limeira)
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Maria Limeira onça-pintada
linda, valente, livre!
Sua alma passeia pelas florestas
sem medo das noites sem luar.
Maria Limeira onça-pantaneira,
olhar da natureza no cio.
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(Leonor Cordeiro)
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2 de ago de 2010

Final de viagem...

Ribeirão Preto ...
(Foto de Leonor Cordeiro)
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Terminaram as férias.
Em julho tive que diminuir as postagens pois estava longe do meu computador.
Obrigada por suas visitas e pelo carinho dos seus comentários.
Grande abraço!
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MG - 050
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em meio a aridez da estrada
a plantação de girassol
pintou de amarelo o amanhecer
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Leonor Cordeiro
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