1 de jul. de 2013

PELA OBRIGATORIEDADE DO TESTE DE GLICEMIA CAPILAR EM HOSPITAIS E PRONTO-SOCORROS

Sou diabética e sei muito bem como é arriscado procurar um serviço de emergência ou ficar internada num hospital. O maior problema do diabético é receber medicação  proibida ou inadequada. Já passei por várias situações de risco e impedi alguns procedimentos que poderiam ter resultado em problemas graves.

Acabei de apoiar e assinar uma petição PELA OBRIGATORIEDADE DO TESTE DE GLICEMIA CAPILAR EM HOSPITAIS E PRONTO-SOCORROS.

"A Diabetes é uma doença séria e que, se não diagnosticada e tratada corretamente, pode causar óbito. Assinamos essa petição como forma de movimentar o corpo legislativo brasileiro para tornar obrigatório o Teste de Glicemia Capilar em hospitais e prontos-socorros antes de qualquer procedimento médico. (Compartilhem essa petição nas redes sociais)
TESTE DE GLICEMIA OBRIGÁTORIO é uma campanha que visa mudanças no protocolo de atendimentos médicos de urgência e emergência no Brasil.
Lutamos pela obrigatoriedade do mesmo antes de qualquer procedimento nos atendimentos de urgência e emergência.
Os Blogueiros de Diabetes começaram esse movimento no dia 19/04, em virtude da morte de uma criança de 1 ano e 8 meses em Minas Gerais, que foi diagnosticada com dengue quando era diabetes. Outra criança de 8 anos morreu em Teresina por receber soro glicosado ao apresentar quadro de desidratação e era diabetes.
Ao noticiar e nos indignar com as mortes, por meio de comentários nos blogs e nas fanpages, recebemos dezenas de depoimentos de mães que viram seus filhos passarem por situações evitáveis de quase morte. Algumas crianças ficaram com sequelas do coma diabético que sofreram em consequência do soro glicosado ou medicações que elevaram ainda mais a glicemia e que poderiam ter sido evitadas com um simples teste de glicemia.
Não só cidadãos comuns, mas diabéticos correm riscos, caso sejam atendidos inconscientes, ou mesmo pelos que não sabem de sua condição, pois estima-se que de 35 a 50% dos portadores de diabetes desconhecem que tem a doença.Foi criada uma petição pública para que o teste se torne obrigatório, que será entregue no Congresso Nacional. Precisamos pressionar as autoridades para que o teste se torne um protocolo de atendimento."


Clique AQUI .  Você vai levar apenas um minuto para participar e pode ajudar a salvar vidas.

abs!

Leonor


29 de abr. de 2013






Frida Kahlo


Viver é um rasgar-se e remendar-se.

(Guimarães Rosa)

Quando eu for eu vou sem pena ...



Chico Buarque - QUANDO EU FOR EU VOU SEM PENA - Paulo Vanzolini

Paulo Vanzolini - ( 25 de abril de 1924 —  28 de abril de 2013 )

6 de dez. de 2012




Elis e Tom - Águas de Março

Igreja São Francisco de Assis, Belo Horizonte, Brasil



“Não me sinto importante. A arquitetura é o meu jeito de expressar meus ideais: ser simples, criar um mundo igualitário para todos, olhar as pessoas com otimismo. Eu não quero nada além da felicidade geral.”
(Oscar Niemeyer)

Fotografia de Véva Nogueira
Museu Oscar Niemeyer, Curitiba, Brasil


" O mais importante não é a arquitetura, mas a vida, 
os amigos e este mundo injusto que devemos modificar "
Oscar Niemeyer


Fotografia de Véva Nogueira

A casa do Oscar




A casa do Oscar


A casa do Oscar era o sonho da família. Havia o terreno para os lados da Iguatemi, havia o anteprojeto, presente do próprio, havia a promessa de que um belo dia iríamos morar na casa do Oscar. Cresci cheio de impaciência porque meu pai, embora fosse dono do Museu do Ipiranga, nunca juntava dinheiro para construir a casa do Oscar. Mais tarde, num aperto, em vez de vender o museu com os cacarecos dentro, papai vendeu o terreno da Iguatemi. Desse modo a casa do Oscar, antes de existir, foi demolida. Ou ficou intacta, suspensa no ar, como a casa no beco de Manuel Bandeira.

Senti-me traído, tornei-me um rebelde, insultei meu pai, ergui o braço contra minha mãe e sai batendo a porta da nossa casa velha e normanda: só volto para casa quando for a casa do Oscar! Pois bem, internaram-me num ginásio em Cataguazes, projeto do Oscar. Vivi seis meses naquale casarão do Oscar, achei pouco, decidi-me a ser Oscar eu mesmo. Regressei a São Paulo, estudei geometria descritiva, passei no vestibular e fui o pior aluno da classe. Mas ao professor de topografia, que me reprovou no exame oral, respondi calado: lá em casa tenho um canudo com a casa do Oscar.

Depois larguei a arquitetura e virei aprendiz de Tom Jobim. Quando a minha música sai boa, penso que parece música do Tom Jobim. Música do Tom, na minha cabeça, é a casa do Oscar.



11 de nov. de 2012

RECEITA PARA DIAS DE CHUVA









dia de chuva é para viajar
na neblina e no vento
para dentro para dentro

um livro fechado espera
que se abram suas portas
com as chaves do pensamento

Roseana Murray
in 'Receitas de Olhar'



7 de nov. de 2012

O testemunho


[...]

Estes poemas são a noite e o dia,
e mais todas as horas da existência
do que está deste lado, em agonia,

e do outro, esquivo aos códigos da ciência,
pois nunca se percebe onde começa
nem finda, ou se tem mesmo essa aparência

de coisa que com números se meça,
ou então, porque escapa a tal medida,
não seja nada do que o ser conheça.

Estes poemas são também a ida 
sem volta de uma viagem para dentro
de si próprio e do que há além da vida

e da morte: uma viagem alma adentro,
sem que nenhuma bússola nos diga
se está correto o rumo para o centro,

ou se de nós, conosco sempre em briga
nos desviamos em meio a uma tormenta
que o náufrago não poupa nem abriga.

[...] 

Ivan Junqueira

(O Outro Lado, Editora Record)

5 de nov. de 2012

O que faz um poema ser um poema? – Charles Bernstein

Hoje conheci o blog "le pays n'est pas la carte" de Marília Garcia. Conteúdo nota 10! Vou reproduzir aqui parte de uma de suas postagens para provocar em você o desejo de conhecer aquele espaço:



[Minha leitura se chama
O que faz um poema ser um poema?
e vou ligar o cronômetro]

 


Não é a rima das palavras no fim da linha
Não é a forma
Não é a estrutura
Não é a solidão
Não é o espaço
Não é o céu
Não é o amor
Não é a luminosidade
Não é o sentimento
Não é a metrificação
Não é a época
Não é a intencionalidade
Não é o desejo
Não é a temperatura
Não é a esperança
Não é o assunto escolhido
Não é a morte
Não é o nascimento
Não é a paisagem
Não é a relação de palavras
Não é o que há entre as palavras
Não é o cronômetro
Não é o...
É o tempo

(Charles Bernstein - Tradução: Marília Garcia)

Reencontro...

Parece que foi ontem que escrevi a última postagem, mas a data impressa me contradiz marcando a passagem do tempo. Escolhi o poeta checo Jaroslav Seifert  para marcar nosso reencontro:





FUNERAL SOB A MINHA JANELA

Queixo-me ao vento, a nossa vida não é senão um minuto,
cavalos, regressem,
se pelo menos os cavalos pudessem regressar:
regressem ao nosso tempo, uma vez mais para recomeçar!

Se pelo menos os ponteiros invertidos do relógio nos pudessem trazer
de volta os momentos que desperdiçamos, aos bocadinhos,
se pelo menos a engrenagem, operando em sentido contrário,
pudesse deslindar o nó do suicídio,
se pelo menos a lua que ainda ontem se deitou
regressasse uma vez mais ao céu de hoje,
se pelo menos conseguíssemos chorar de novo
as nossas mágoas triviais!

Queixo-me ao vento ─ ouçam o seu lamento agoniado ─
se pelo menos o vento pudesse trazer de novo,
trazer de novo a máscara da pele morta ─
a máscara que no sopro da morte
deslocou da face um último fôlego
e que o vento agora varre e desgasta ─
para que nos beijemos uma vez mais
antes que esvaneça e se despedace
no cimo das árvores, nas gotas da chuva
.


Jaroslav Seifert, in Piolho 001, trad. Sílvia C. Silva, Edições Mortas, Maio de 2010, pp. 57-58

4 de out. de 2011

Trecho de Café Expresso

Anita Malfatti - O violeiro e a daminha no engenho
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A minha xícara de café é o resumo de todas as coisas que vi na fazenda e me vêm à memória apagada... Na minha memória anda um carro de bois a bater as porteiras da estrada... Na minha memória pousou um pinhé gritando: crapinhé! E passam uns homens que levam às costas jacás multicores com grãos de café. E piscam lá dentro, no fundo de meu coração, uns olhos negros de cabocla a olhar para mim com seu vestido de alecrim e pés no chão. E uma casinha cor de luar na tarde roxo-rosa... Um cuitelinho verde sussurrando enfiando o bico na catléia cor de sol que floriu no portão... E os fazendeiros, calculando a safra do espigão..."

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Cassiano Ricardo, Café Expresso

3 de out. de 2011

Carl Larsson - Woman Writing

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.O processo de escrever é feito de erros - a maioria essenciais - de coragem e preguiça, desespero e esperança, de vegetativa atenção, de sentimento constante (não pensamento) que não conduz a nada, e de repente aquilo que se pensou que era “nada” era o próprio assustador contato com a tessitura de viver - e esse instante de reconhecimento, esse mergulhar anônimo, esse instante de reconhecimento (igual a uma revelação) precisa ser recebido com a maior inocência, com a inocência de que se é feito. O processo de escrever é difícil? Mas é como chamar de difícil o modo extremamente caprichoso e natural como uma flor é feita. (Mamãe, me disse o menino, o mar está lindo, verde e com azul, e com ondas! Está todo anaturezado! Todo sem ninguém ter feito ele!) A impaciência enorme ao trabalhar (ficar de pé junto da planta para vê-la crescer e não se vê nada) não é em relação à coisa propriamente dita, mas à paciência monstruosa que se tem (a planta cresce de noite). Como se se dissesse: “ não suporto um minuto mais ser tão paciente”, “a paciência do relojoeiro me enerva”, etc. O que impacienta mais é a pesada paciência vegetativa, boi servindo ao arado.

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Clarice Lispector

2 de out. de 2011

Os Três Mal-Amados


(Giant, 1997)


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Joaquim:


O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.
O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.
O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.
O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.
Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.
O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.
O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.
O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.
O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.
O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.
O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.
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“Os Três Mal-Amados”, do livro “João Cabral de Melo Neto - Obras Completas”, Ed. Nova Aguilar S.A. - Rio de Janeiro, 1994, pág.59.

Para o meu olhar...

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Bayeux - França

1 de out. de 2011

A mala por fazer...

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Às vezes é só o desejo ferroviário de partir. O colocar a mala na rede por cima do assento. Esperar que ninguém nos acompanhe na carruagem. Abrir o jornal e adormecer, na ronronante viagem. Num qualquer apeadeiro, perdidas já as saudades de tudo, e ainda sem saber para que destino, mirar todos e cada um dos que entram a bordo, como se houvesse neles uma razão que a nós nos falta. Às vezes é só ficar eternamente no cais, a mala por fazer. um itinerário pelos carris do sonho pelas estações da ilusão.
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The Magic Book...

“The Magic Book” by Teresa Yeh


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(do meu tumblr: Diário do entardecer...)