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4 de fev. de 2010
2 de fev. de 2010
Lugares
(Museu do Café - Ribeirão Preto)
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há lugares na alma
tão escuros
que até os cegos
podem contar as estrelas
cadentes
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contar as estrelas
e fazer muitos desejos
tantos quantos cabem na alma
de um cego
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há praias na alma
tão escuras
que até os videntes
pensam que é céu
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cada grão de mica encerra
uma estrela que caiu
de modo que o mundo
da alma
Ruy Proença
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Depois de passar dois meses tentando reencontrar lugares da minha infância no interior de São Paulo, voltei. A possibilidade do reencontro é conversa para uma outra postagem.
É bom estar novamente com vocês.
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16 de dez. de 2009
(sobre o escrever...)
13 de dez. de 2009
Poema da buganvília
(Fotografia de Rui de Camposinhos).
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Algum dia o poema será a buganvília
pendente deste muro da Calçada da Graça.
Produz uma semente que faz esquecer os jornais, o emprego e a família,
e além disso tudo atapeta o passeio alegrando quem passa.
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Mas antes desse dia há-de secar a buganvília
e o varredor há-de levar as flores secas para o monturo.
Depois cairá o muro.
E como o tempo passa
mesmo contra a vontade,
também há-de acabar a Calçada da Graça
e o resto da cidade.
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Então, quando nada restar, nem o pó de um sorriso
que é o mais leve de tudo que se pode supor,
será esse o momento de o poema ser flor,
mas já não é preciso.
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António Gedeão
pendente deste muro da Calçada da Graça.
Produz uma semente que faz esquecer os jornais, o emprego e a família,
e além disso tudo atapeta o passeio alegrando quem passa.
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Mas antes desse dia há-de secar a buganvília
e o varredor há-de levar as flores secas para o monturo.
Depois cairá o muro.
E como o tempo passa
mesmo contra a vontade,
também há-de acabar a Calçada da Graça
e o resto da cidade.
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Então, quando nada restar, nem o pó de um sorriso
que é o mais leve de tudo que se pode supor,
será esse o momento de o poema ser flor,
mas já não é preciso.
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António Gedeão
2 de dez. de 2009
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