15 de out de 2007

Dia do Professor ...

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MEDIDA DE VALORES
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Uma das principais qualidades do educador – e que determina todas as outras – é a sua capacidade de medir com justeza, os valores que se lhe apresentam.
Uma das principais porque, em suma, a função do educador repousa na apreciação dos valores de vária espécie – morais, intelectuais, técnicos etc. – que se nos oferecem na vida, para efetuar a sua adequada aplicação ao problema educacional.
Sem nos perdermos em considerações que se elevem a aparências muito transcendentes, tomemos de perto um exemplo, que sirva de ponto de apoio à nossa afirmativa inicial.
Têm existido até, pela força de várias circunstâncias, professores – não educadores – capazes de aceitar as orientações emanadas dos chamados “superiores” respeitando-as simplesmente pela fonte da sua procedência.
Por mais que se queira ver em tais pessoas ótimos auxiliares, funcionários digníssimos, em razão, justamente, de sua obediência, nunca os poderemos aceitar como educadores. Educador é aquele que está constantemente evoluindo, experimentando em si e em torno de si, todas as modificações que possam constituir um progresso, e que o faz, principalmente, com o fim de medir o valor de cada problema da humanidade, e conhecer o ambiente e o significado da sua tarefa pedagógica.
Sua visão do mundo, pois, não deve ser alterada por nenhuma refração devida a interesses de natureza estranha ao sentido essencial da educação.
É bom respeitar os superiores que nos são realmente superiores – pela quantidade e qualidade das suas experiências e das suas obras: não apenas pela sua situação hierárquica.
A medida do valor daqueles que formam o seu meio ambiente impõe-se ao educador como necessidade indispensável à sua própria função.
Por essa avaliação é que ele determinará as suas resoluções; por ela é que reconhecerá o que deve receber e o que deve rejeitar dos fenômenos que o afetam.
Do ponto de vista educacional, medem os indivíduos e os fatos conforme a sua projeção na humanidade.
Cálculo difícil, mas indispensável. Muitas aparências valiosas se revelam negativas à luz dessa medida. Muitas outras, à primeira vista, secundárias ou inoportunas, apresentam-se com imprevista grandeza quando apreciadas desse modo.
O educador não é o burocrata que vai à escola como a uma repartição, limita a sua atividade de funcionário a meia dúzia de horas diárias, e respeita o prestígio das autoridades : é a criatura construtora de liberdade e progresso harmoniosos, que, vivendo no presente, está sempre investigando o futuro, porque é nesse futuro, povoado de promessas de vida melhor, que o destino de seus discípulos se deverá realizar com toda a plenitude.
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Cecília Meireles
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(Coleção Melhores Crônicas – Global editora)
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2 comentários:

Maria Antonia Soares disse...

Como professora aposentada da Rede Publica (Ensino Fundamental e Médio) e Ensino Superior, todavia, ainda atuando no ensino Pós-graduado como sócia-proprietaria e Diretor-Administrativo do CEVEA - Centro Venceslauense de Estudos Avançados, posso revelar, com propriedade, que a Cecília Meireles estava certa: O verdadeiro "Educador [...] é a criatura construtora de liberdade e progresso harmoniosos, que, vivendo no presente, está sempre investigando o futuro, porque é nesse futuro, povoado de promessas de vida melhor, que o destino de seus discípulos se deverá realizar com toda a plenitude".
Grande abraço e grata pela homenagem prestada aos educadores.

Leonor Cordeiro disse...

Minha querida Maria Antonia,
Educadora de primeira, amiga fiel, pessoa encantadora...
Sou muito feliz por ter uma amiga como você .
Te amo !
Leonor Cordeiro