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3 de out. de 2011

Carl Larsson - Woman Writing

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.O processo de escrever é feito de erros - a maioria essenciais - de coragem e preguiça, desespero e esperança, de vegetativa atenção, de sentimento constante (não pensamento) que não conduz a nada, e de repente aquilo que se pensou que era “nada” era o próprio assustador contato com a tessitura de viver - e esse instante de reconhecimento, esse mergulhar anônimo, esse instante de reconhecimento (igual a uma revelação) precisa ser recebido com a maior inocência, com a inocência de que se é feito. O processo de escrever é difícil? Mas é como chamar de difícil o modo extremamente caprichoso e natural como uma flor é feita. (Mamãe, me disse o menino, o mar está lindo, verde e com azul, e com ondas! Está todo anaturezado! Todo sem ninguém ter feito ele!) A impaciência enorme ao trabalhar (ficar de pé junto da planta para vê-la crescer e não se vê nada) não é em relação à coisa propriamente dita, mas à paciência monstruosa que se tem (a planta cresce de noite). Como se se dissesse: “ não suporto um minuto mais ser tão paciente”, “a paciência do relojoeiro me enerva”, etc. O que impacienta mais é a pesada paciência vegetativa, boi servindo ao arado.

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Clarice Lispector

4 de set. de 2010

Clarice...

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(menina Clarice no Rio)

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Ter nascido me estragou a saúde.

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Clarice Lispector
in Para não esquecer. Círculo do livro, São Paulo, 1980. p.135

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29 de mar. de 2010

A pesca milagrosa

(Encontrei esse poema visual no blog do  Ademir Bacca)
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Então escrever é o modo de quem tem a palavra como isca: a palavra pescando o que não é palavra. Quando essa não-palavra morde a isca, alguma coisa se escreveu. Uma vez que se pescou a entrelinha, podia-se com alívio jogar a palavra fora. Mas aí cessa a analogia: a não palavra, ao morder a isca, incorporou-a. O que salva então é ler "distraidamente".
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Clarice Lispector
in Para não esquecer. Círculo do livro, São Paulo, 1980, p.41
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26 de mar. de 2010

A ceia divina

Frida Kahlo

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Laranja na mesa. Bendita a árvore que te pariu.
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Clarice Lispector
 Para não esquecer. Círculo do livro, São Paulo, 1980, p.26
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17 de fev. de 2010

Mas já que se há de escrever ...

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"Mas já que se há de escrever, que ao menos não se esmaguem com palavras as entrelinhas."
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Clarice Lispector
in Para não esquecer. Círculo do livro, São Paulo, 1980, p.25
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26 de jan. de 2009

Clarice...

.."O processo de escrever é feito de erros - a maioria essenciais - de coragem e preguiça, desespero e esperança, de vegetativa atenção, de sentimento constante (não pensamento) que não conduz a nada, e de repente aquilo que se pensou que era “nada” era o próprio assustador contato com a tessitura de viver - e esse instante de reconhecimento, esse mergulhar anônimo, esse instante de reconhecimento (igual a uma revelação) precisa ser recebido com a maior inocência, com a inocência de que se é feito". .
Clarice Lispector

in Para não esquecer. Círculo do Livro, São Paulo, 1980, p. 125
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20 de abr. de 2008

Clarice ...

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"Morro de pena de meus personagens. Se eu pudesse, ah se eu pudesse, como facilitaria a vida deles, como lhes daria maior amor. Mas não posso fazer senão lhes dar esperança, e leves empurrões para frente. Só há um livro meu em que o personagem morre no fim. A todos os outros, eu deixo o caminho aberto: é só ter força ou querer passar. É com piedade e resignação que os deixo sofrer: que assombrosa coragem a minha: são filhos meus e no entanto abaixo a cabeça às suas dores. Por isso adio tanto em escrever um livro. Já sei como vou ser torturada e castigada, e como muitas vezes me sentirei impotente. Mas nada posso fazer: tudo o que vive sofre".
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Clarice Lispector
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4 de abr. de 2008

25 de mar. de 2008

Clarice...

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"... Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens. Escrevo porque sou uma desesperada e estou cansada, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu morreria simbolicamente todos os dias".
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Clarice Lispector
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19 de jan. de 2008

Sobre o escrever...

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"Eu só escrevo quando eu quero, eu sou uma amadora e faço questão de continuar a ser amadora. Profissional é aquele que tem uma obrigação consigo mesmo de escrever, ou então em relação ao outro. Agora, eu faço questão de não ser profissional, para manter minha liberdade."
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Clarice Lispector
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24 de jul. de 2007

Sobre a vida ...

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"... renda-se como eu me rendi. Mergulhe no desconhecido. Não se preocupe em entender:
A vida ultrapassa qualquer entendimento."
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Clarice Lispector
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