Mostrando postagens com marcador Homenagem. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Homenagem. Mostrar todas as postagens

6 de ago. de 2010

Hoje é dia do poeta do Bexiga !

Há cem anos nascia Adoniran Barbosa, o poeta do povo, o sambista dos excluídos.

.

.

Continue vivo Adoniran, pegue o trem das onze e volte para casa!

.


.

6 de jul. de 2010

AVE FRIDA !!!!

Magdalena Carmen Frieda Kahlo y Calderón nasceu em 6 de julho de 1907 em Coyoacán, nos arredores da Cidade do México.
.
"Sinto-me mal, e ficarei pior, mas vou aprendendo a estar sozinha
e isso já é uma vantagem e um pequeno triunfo."
(Frida Kahlo)
.
''Pinto a mim mesmo porque sou sozinha e porque sou o assunto que conheço melhor."
(Frida Kahlo)
.
"Pensaram que eu era surrealista, mas nunca fui. Nunca pintei sonhos,
só pintei a minha própria realidade."
(Frida Kahlo).
.
''Não estou doente. Estou partida.
Mas me sinto feliz por continuar viva enquanto puder pintar."
(Frida Kahlo).
.

.

2 de abr. de 2010

2 de abril: Dia Internacional do Livro Infantil !

A comemoração acontece no dia do nascimento do escritor Hans Christian Andersen.
.
.
.
É dificil encontrar um adulto que ainda não ouviu ou leu uma das histórias de Andersen.
.

.


.
.
.
Aproveito essa data para homenagear o  escritor português António Garcia Barreto.   
Conheci António através do seu antigo blog  Tio Lunetas.  "A Oficina do Tio Lunetas foi o título de uma página infantil por mim criada e coordenada no semanário regional Notícias da Amadora nos anos de 1981-82. Recuperei-o agora para acolher este espaço de Mecânica da Fantasia e Outras Artes para Crianças e Jovens. Aqui serão incluídos diversos temas relacionados com a literatura infanto-juvenil. Desde a criatividade à informação. Certamente, este blog não terá uma actualização diária. Mas prometo tanto como possível uma Mecânica afinada."
Uma grande parte da sua obra é dedicada ao público infanto-juvenil:

«O Caso da Cobra com Asas», col. Brigada Azul, Oficina do Livro, 2009
«Ricardo Caiu no Buraco de Ozono», Ambar, 2008
«Conta Comigo, Pai!», Ambar, 2006
«A Mitra Desaparecida», Ambar, 2006
«Uma Zebra ao Telefone», Ambar, 2006
«Amanhã Regresso a Casa», Ambar
«O Caso da Máscara Desmascarada», Vega Editora, 2001
«O Caso da Cobra com Asas», Vega Editora, 2000
«Eu Vou Contar a História do Livro», Edições Nave, s/d
«O Luxo da Gata Mafalda», Edições ASA, 1986
«Um Hipopótamo com Soluços», Edições Nave, 1985
«Tobias, Um Gato Com Manias», Edições Ró, 1982
«Na Rua Onde Moro», Plátano Editora, 1981
«Na-Nu, O Menino Que Estudava Num Livro de Pedra», Editorial Caminho, 1979
«História das Três Janelas», Plátano Editora, 1977
«Botão Procura Casa», Plátano Editora, 1977. Posterior versão em Braille.
.

Nesse mes de abril pela Oficina do Livro chega as livrarias o seu novo romance: UM SORRISO PARA A ETERNIDADE.
 .

"O sorriso amável do meu avô Aurélio é a única imagem forte que retenho dele. Tudo o resto, que não foi nada, acabou por se esfumar ou nem sequer existir. Só esse sorriso magnético e encantador me liga à sua memória, levando-me a pôr em dúvida a sua herança genética, já que eu nunca soube sorrir, e ainda menos de forma amável. Mas alguma coisa devo ter herdado dele. Ando agora interessado em desvendar a sua existência misteriosa e um tanto desvairada, segundo a opinião geral da família, para compreender melhor as razões da minha própria vida." ( leia mais)
.
Mesmo tendo recebido durante todos esses anos o destaque e o merecido reconhecimento de sua obra, António ainda conserva o hábito saudável e elegante  de gostar de conversar com os seus leitores. A comemoração desse blog, nesse 2 de abril,  é  dedicada a ANTÓNIO GARCIA BARRETO.
.
.

25 de nov. de 2009

Para Emília Miranda ...

Pedra filosofal
.
Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.
.
Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.
.
Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é Cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.
.
Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida.
Que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.
.
António Gedeão
.


4 de out. de 2009

Gracias a La Vida

.Gracias a La Vida
(Violeta Parra)
.
Gracias a la vida que me ha dado tanto.
Me dio dos luceros, que cuando los abro,
Perfecto distingo lo negro del blanco
Y en el alto cielo su fondo estrellado
Y en las multitudes el hombre que yo amo.
.
Gracias a la vida que me ha dado tanto.
Me ha dado el oído que en todo su ancho
Graba noche y día, grillos y canarios,
Martillos, turbinas, ladridos, chubascos,
Y la voz tan tierna de mi bien amado
.
Gracias a la vida que me ha dado tanto.
Me ha dado el sonido y el abecedario;
Con el las palabras que pienso y declaro:
Madre, amigo, hermano, y luz alumbrando
La ruta del alma del que estoy amando.
.
Gracias a la vida que me ha dado tanto.
Me ha dado la marcha de mis pies cansados;
Con ellos anduve ciudades y charcos,
Playas y desiertos, montañas y llanos,
Y la casa tuya, tu calle y tu patio.
.
Gracias a la vida que me ha dado tanto.
Me dio el corazón que agita su marco
Cuando miro el fruto del cerebro humano,
Cuando miro al bueno tan lejos del malo,
Cuando miro al fondo de tus ojos claros.
.
Gracias a la vida que me ha dado tanto.
Me ha dado la risa y me ha dado el llanto.
Así yo distingo dicha de quebranto,
Los dos materiales que forman mi canto,
Y el canto de ustedes que es mi mismo canto,
Y el canto de todos que es mi propio canto.
Gracias a la vida que me ha dado tanto.

13 de mai. de 2009

13 de maio ? Fala poeta !

SOLANO TRINDADE
.
.
Tem gente com fome
.
.Trem sujo da Leopoldina
correndo correndo
pra dizer
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome
.
Piiiii
.
estação de Caxias
de novo a dizer
de novo a correr
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome
Vigário Geral
Lucas
Cordovil
Brás de Pina
Penha Circular
Estação da Penha
Olaria
Ramos
Bom Sucesso
Carlos Chagas
Triagem, Mauá
trem sujo da Leopoldina
correndo correndo
parece dizer
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome
Tantas caras tristes
querendo chegar
em algum destino
em algum lugar
.
Trem sujo da Leopoldina
correndo correndo
parece dizer
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome
.
Só nas estações
quando vai parando
lentamente começa a dizer
se tem gente com fome
dá de comer
se tem gente com fome
dá de comer
se tem gente com fome
dá de comer
Mas o freio do ar
todo autoritário
manda o trem calar
Psiuuuuuuuuuu
.

10 de mai. de 2009

Que saudade...

.
Que bom é suar na tarde e gritar:
mãe, cê tá aí, mãe ?
.
(Adélia Prado - O coração disparado. Editora Guanabara, p.88)
.

25 de fev. de 2009

Clube Literário - Machado de Assis e Guimarães Rosa... Estrela em poesia!

Em 2007, O MUNDO ENCANTADO DE CECÍLIA MEIRELES destacou o samba enredo da MANGUEIRA que homenageava a língua portuguesa. Ontem, encontrei a Mocidade Independente de Padre Miguel levando Machado de Assis e Guimarães Rosa para a avenida :

"Mocidade apresenta: Clube Literário - Machado de Assis e Guimarães Rosa... Estrela em poesia!"


Um pouco do enredo:

PRELÚDIO (1º ATO)

O NASCIMENTO DA ESTRELA MÍSTICA LITERÁRIA

Os inconfundíveis versos dessa estrela que brilha de uma fusão incandescente viajam em um tempo luzente, riscam o céu com a mesma intensidade de uma estrela cadente e iluminam a nossa querida Mocidade Independente.
Renascem em um sonho acordado e promovem a fusão de três corpos iluminados, que surgem no universo de uma explosão, resistindo ao calor da fricção. E em uma velocidade estonteante cruzam, para além do cosmo, a caminho do planeta Terra.
Com a força do tempo, os corpos iluminados vindos do firmamento − a Estrela da Mocidade Independente de Padre Miguel, Joaquim Maria Machado de Assis e João Guimarães Rosa − chegam, sob encantamento, ao encontro mágico e universal chamado Carnaval.
Fundem-se em uma só estrela, em um único foco de luz que irradia alegria, como se o astro rei, o Sol, fosse a sua única fonte de energia; orquestram-se em uma ópera popular, desfolhando-se em literatura, poesia, história e fantasia, que em forma de samba tudo se traduz. A estrela de luz da Mocidade nos conduz ao Clube Literário Machado de Assis e Guimarães Rosa... Estrelas em poesia!
Abram-se as cortinas... Aplausos!
Em uma celebração sem igual, a Mocidade Independente de Padre Miguel narra esta ópera inspirada em Joaquim Maria Machado de Assis e João Guimarães Rosa e apresenta o enredo do seu samba na seqüência de sete ATOS. "

.

A chegada de Guimarães Rosa:

5º ATO:

UMA ESTRELA ADORMECE – NASCE "O ROSA DOS VENTOS"

.
Adormece uma grande estrela e nasce a mais nova estrela na literatura moderna brasileira.
Daqui a pouco será crepúsculo. O sol, em fins de tarde de outono, estará brilhando morno sobre o Rio de Janeiro. Irá bater com sua luz nas janelas fechadas de um prédio antigo, no Cosme Velho. Ninguém o atenderá, porque o dono da casa, viúvo e solitário, saiu para um último passeio e não vai voltar. A estrela de Machado adormeceu!
Em um rastro de luz Machado de Assis faz a passagem para a imortalidade, como uma estrela que adormece, nos seios de sua eterna e amada Carolina, e que nunca se apagará... Contudo, como em uma explosão cósmica, surge uma nova estrela. Ressalta das páginas da história o nascimento de João Guimarães Rosa – Rosa de todos os ventos, o Rosa de Minas e o Rosa do mundo.
Lisonjeado, Guimarães apresenta os seus Brasis, segue encantado, como um “literato abençoado” que na folia chega pra dar o seu recado.

(Você pode conhecer todo o enredo no site da escola. )
.

1 de jan. de 2009

Revolução cubana: 50 anos !

HAVANA-ME
Composição: Joyce / Paulo Cesar Pinheiro

.Havana-me
Não esqueço teu povo em momento algum
Cubana-me
Me convida a dançar, quebra o meu jejum
Serena-me
Me lambuza de cana, tabaco e rum, havana-me

.Havana-me
Bota uma cubalibre, limão e sal
Cubana-me
Me carrega em teu ritmo sensual
Irmana-me
Nossa música tem sangue tropical, havana-me
.
Tira-me pra bailar,
Quero ouvir teu som caribenho
Por ti, mestiço, eu tenho amor
Me pega pelo quadril
Teu par ainda é o Brasil, havana-me.



“Viver em Cuba exige altruísmo, como viver em comunidade ou, por exemplo, num convento. O nosso deixa pouco espaço para o meu. Como o egoísmo é a nossa tendência negativa mais forte, não são todos que suportam a idéia de que nunca poderão ficar ricos e desfrutar das quimeras que o dinheiro promete.” (Frei Betto)



"O símbolo da revolução cubana não é o fuzil. É o livro. A educação é prioridade no país e o dia do professor é uma celebração nacional. " ( Tilden Santiago)



Uma das minhas utopias?


. PELO FIM DO BLOQUEIO ECONÔMICO CONTRA CUBA !

25 de dez. de 2008

Sobre o Natal ...

Botticelli - Mystic Nativity
.
.
Natal me deixa triste. Porque, por mais que o procure, não o encontro. Natal é uma celebração. As celebrações acontecem para trazer do esquecimento uma coisa querida que aconteceu no passado. A celebração deve ser semelhante à coisa celebrada. Não posso celebrar a vida de Gandhi com um churrasco. Ele era vegetariano, amava os animais. Uma celebração de Gandhi teria de ser feita com verduras, água, leite e um falar baixo. Mais a leitura de alguns textos que ele deixou escritos. Assim Gandhi se tornaria um dos hóspedes da celebração. Agora, um visitante de outro planeta que nada soubesse das nossas tradições, se ele comparecesse às festas de Natal, sem que nenhuma explicação lhe fosse dada, ele concluiria que o objeto da celebração deveria ser um glutão, amante das carnes, bebidas, do estômago cheio, das conversas em voz alta, do desperdício. Nossas celebrações de Natal são como as cascas de cigarra agarradas às árvores. Cascas vazias, das quais a vida se foi. Se perguntar às crianças o que é que está sendo celebrado, eles não saberão o que dizer. Dirão que o Natal é dia do Papai Noel, um velho barrigudo de barbas brancas amante do desperdício, que enche os ricos de presentes e deixa os pobres sem nada. (...) Pois é certo que as celebrações do Natal são orgias de ricos, celebrações do desperdício e lixo. Celebrações do lixo? Aquelas pilhas de papel de presente colorido em que vieram embrulhados os presentes, não são elas essenciais às celebrações? Rasgados, amassados, embolados num canto. Irão para o lixo. Quantas árvores tiveram de ser cortadas para que aqueles papéis fossem feitos. Para quê? Para nada. A indiferença com que tratamos o papel de presentes é uma manifestação da indiferença com que tratamos a nossa Terra. Estou convidando meus amigos para uma celebração de Natal. Ela deverá imitar a ceia que José e Maria tiveram naquela noite: velas acesas, um pedaço de pão velho, vinho, um pedaço de queijo, algumas frutas secas. À volta de um prato de sopa de fubá – comida de pobre –, tentaremos reconstruir na imaginação aquela cena mansa na estrebaria, um nenezinho deitado numa manjedoura, uma estrela estranha nos céus, os campos iluminados pelos vaga-lumes. E ouviremos as velhas canções de Natal, e leremos poemas, e rezaremos em silêncio. Rezaremos pela nossa Terra, que está sendo destruída pelo mesmo espírito que preside nossas orgias natalinas.
Rubem Alves
.
(Revista “Bons Fluidos”, dezembro de 2008)
.

7 de nov. de 2008

HOJE É DIA DE CECÍLIA !



Queridos amigos e amigas que tão gentilmente atenderam o meu convite e estão participando dessa linda homenagem para nossa amada Cecília Meireles.
Vocês devem estar estranhando a minha ausência logo no dia de hoje quando todos estão reunidos nessa comemoração.
Ontem visitei todos os blogs e deixei um bilhetinho para lembrar que o grande momento estava chegando. Pela madrugada ainda consegui fazer as postagens nos meus outros blogs, mas não pude continuar, problemas com a minha saúde me impediram.
Continuem a comemoração, ela está linda e emocionante.
Quando comemoramos o dia do nascimento do aniversário de Cecília, revivemos a sua memória, reafirmamos que a sua história e a herança que ela nos deixou através da sua obra continua viva e faz parte da nossa vida, mora em nossos corações.
Obrigada a todos vocês que através dos seus blogs estão enfeitando a blogosfera com os poemas de Cecília .
Logo estarei recuperada para visitar a todos e me emocionar com a beleza das suas postagens .

Mil beijinhos !
Com carinho e afeto,

Leonor Cordeiro


"A VIDA só é possível
reinventada. "
Cecilia Meireles

6 de nov. de 2008

AMANHÃ SERÁ UM DIA MUITO ESPECIAL !

.
Amanhã será um dia muito especial, pois faremos a blogagem coletiva em homenagem à querida escritora Cecília Meireles.
Visitarei o seu blog para conhecer o poema ou a crônica da Cecília, que você carinhosamente escolheu.
A lista com o nome de todos os blogs participantes será postada aqui a partir das 15 horas dessa sexta-feira.
Aceite o meu carinho e afeto.

.
Leonor Cordeiro
.

31 de out. de 2008

Hoje é dia de Drummond ?

.

.

Carlos Drummond de Andrade nasceu em Itabira do Mato Dentro - MG, em 31 de outubro de 1902.

11 de out. de 2008

11 de outubro de 2008: CEM ANOS DE CARTOLA !


.
O poeta Carlos Drummond de Andrade escreveu sobre Cartola no Jornal do Brasil de 27 de novembro de 1980 :
.
CARTOLA, NO MOINHO DO MUNDO
.
Você vai pela rua, distraído ou preocupado, não importa. Vai a determinado lugar para fazer qualquer coisa que está escrita em sua agenda. Nem é preciso que tenha agenda. Você tem um destino qualquer, e a rua é só a passagem entre sua casa e a pessoa que vai procurar. De repente estaca. Estaca e fica ouvindo.
.
Eu fiz o ninho.
Te ensinei o bom caminho.
Mas quando a mulher não tem brio,
é malhar em ferro frio.
.
Aí você fica parado, escutando até o fim o som que vem da loja de discos, onde alguém se lembrou de reviver o velho samba de Cartola; Na Floresta (música de Sílvio Caldas).

Esse Cartola! Desta vez, está desiludido e zangado, mas em geral a atitude dele é de franco romantismo, e tudo se resume num título: Sei Sentir. Cartola sabe sentir com a suavidade dos que amam pela vocação de amar, e se renovam amando. Assim, quando ele nos anuncia: “Tenho um novo amor”, é como se desse a senha pela renovação geral da vida, a germinação de outras flores no eterno jardim. O sol nascerá, com a garantia de Cartola. E com o sol, a incessante primavera.

A delicadeza visceral de Angenor de Oliveira (e não Agenor, como dizem os descuidados) é patente quer na composição, quer na execução. Como bem me observou Jota Efegê, seu padrinho de casamento, trata-se de um distinto senhor emoldurado pelo Morro da Mangueira. A imagem do malandro não coincide com a sua. A dura experiência de viver como pedreiro, tipógrafo e lavador de carros, desconhecido e trazendo consigo o dom musical, a centelha, não o afetou, não fez dele um homem ácido e revoltado. A fama chegou até sua porta sem ser procurada. O discreto Cartola recebeu-a com cortesia. Os dois convivem civilizadamente. Ele tem a elegância moral de Pixinguinha, outro a quem a natureza privilegiou com a sensibilidade criativa, e que também soube ser mestre de delicadeza.

Em Tempos Idos, o divino Cartola, como o qualificou Lúcio Rangel, faz o histórico poético da evolução do samba, que se processou, aliás, com a sua participação eficiente:
.
Com a mesma roupagem
que saiu daqui
exibiu-se para a Duquesa de Kent
no Itamaraty.
.
Pode-se dizer que esta foi também a caminhada de Cartola. Nascido no Catete, sua grande experiência humana se desenvolveu no Morro da Mangueira, mas hoje ele é aceito como valor cultural brasileiro, representativo do que há de melhor e mais autêntico na música popular. Ao gravar o seu samba Quem Me Vê Sorrir (com Carlos Cachaça), o maestro Leopold Stockowski não lhe fez nenhum favor: reconheceu, apenas, o que há de inventividade musical nas camadas mais humildes de nossa população. Coisa que contagiou a ilustre Duquesa.
* * *
Mas então eu fiquei parado, ouvindo a filosofia céptica do Mestre Cartola, na voz de Sílvio Caldas. Já não me lembrava o compromisso que tinha de cumprir, que compromisso? Na floresta, o homem fizera um ninho de amor, e a mulher não soubera corresponder à sua dedicação. Inutilmente ele a amara e orientara, mulher sem brio não tem jeito não. Cartola devia estar muito ferido para dizer coisas tão amargas. Hoje não está. Forma um par feliz com Zica, e às vezes a televisão vai até a casa deles, mostra o casal tranqüilo, Cartola discorrendo com modéstia e sabedoria sobre coisas da vida. “O mundo é um moinho...” O moleiro não é ele, Angenor, nem eu, nem qualquer um de nós, igualmente moídos no eterno girar da roda, trigo ou milho que se deixa pulverizar. Alguns, como Cartola, são trigo de qualidade especial. Servem de alimento constante. A gente fica sentindo e pensamenteando sempre o gosto dessa comida. O nobre, o simples, não direi o divino, mas o humano Cartola, que se apaixonou pelo samba e fez do samba o mensageiro de sua alma delicada. O som calou-se, e “fui à vida”, como ele gosta de dizer, isto é, à obrigação daquele dia. Mas levava uma companhia, uma amizade de espírito, o jeito de Cartola botar em lirismo a sua vida, os seus amores, o seu sentimento do mundo, esse moinho, e da poesia, essa iluminação.
.

.

9 de out. de 2008

Raison de vivre ...

Em 09 de outubro de 1998 faleceu o poeta, tradutor, crítico e ensaísta José Paulo Paes.
Em 1986, Carlos Felipe Moisés perguntou ao poeta:
.
-Você morreria se fosse impedido de escrever?
- Não, claro que não. Eu só morreria se não me deixassem comer. Agora, a verdade é que se eu não pudesse escrever meus poemas, meus ensaios, minha vida perderia talvez aquilo que possa justificá-la, não aos olhos dos outros, mas aos meus próprios. Há um poeta que aprecio muito, Paul Eluard, que gostava de usar a expressão "razão de viver". É freqüente na sua poesia isso que me parece bem francês, bem do cartesianismo francês, de procurar a razão das coisas. "Raison de vivre"... Eu hoje tenho na literatura, no exercício da criação literária, a minha razão de viver. Minha geração, que é coetânea da voga existencialista, sempre se preocupou muito com a questão do absurdo da existência e sempre achou que a empresa do homem era tentar achar uma justificativa, uma razão de ser, para contrapor a esse absurdo. Aquela coisa do mito de Sísifo, de arrastar o rochedo lá para cima, e ele vindo para baixo... A literatura, para mim, é uma das formas mais elevadas de dar sentido à vida, de lutar contra o absurdo existencial.
.
.
.
TERMO DE RESPONSABILIDADE
.
mais nada
a dizer: só o vício
de roer os ossos
do ofício
.
já nenhum estandarte
à mão
enfim a tripa feita
coração
.
silêncio
por dentro sol de graça
o resto literatura
às traças!
.
Os melhores poemas
Editora Global,São Paulo, 1998, p. 140
.
.
.
.
CONVITE
.
Poesia
é brincar com palavras
como se brinca com bola,
papagaio, pião.
.
Só que
bola, papagaio,pião
de tanto brincar
se gastam.
.
As palavras não:
quanto mais se brinca
com elas
mais novas ficam.
.
Como a água do rio
que é água sempre nova.
.
Como cada dia
que é sempre um novo dia.
.
Vamos brincar de poesia?
.
Poemas para brincar
Editora Ática, 1990

.
.
.
.
HINO AO SONO
.
sem a pequena morte
de toda noite
como sobreviver à vida
de cada dia?
.
Um por Todos (Poesia Reunida)
Ed. Brasiliense, São Paulo, 1986

.

.

Hoje, que se completa 10 anos da morte do poeta, vários escritores vão se reunir na Casa das Rosas, para ler poemas e dar depoimentos sobre Paes.
.
Data: 9/10, quinta-feira
Hora: 19h30
Local: Casa das Rosas
Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura
Av. Paulista, 37 – Bela Vista
São Paulo
.

29 de set. de 2008

29 de setembro de 2008: CEM ANOS SEM MACHADO DE ASSIS !

Machado de Assis: Um Mestre na Periferia I

Machado de Assis: Um Mestre na Periferia II

Machado de Assis: Um Mestre na Periferia III

.

DOM CASMURRO ...

.

.

MACHADO DE ASSIS NO MUSEU DA LÍNGUA PORTUGUESA !

.

MACHADO DE ASSIS, mas esse capítulo não é sério

.

.

Até 26 de outubro

Horário: terça-feira a domingo, das 10h às 18h

Local: Museu da Língua Portuguesa

Endereço: Praça da Luz, s/nº - Centro - São Paulo - SP.

Ingresso: R$ 4,00; aos sábados a visita é gratuita

.