15 de abr de 2008

POESIA PARA A INFÂNCIA

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ESCREVEU CERTA VEZ Henriqueta Lisboa que não há poesia com destinatário. “Assim como não há céu especial para crianças, tempestades especiais, mares, florestas para cada classe de seres humanos...” Concluindo: “ Como todas as grandes coisas verdadeiras, a poesia é uma ”.
Faltava em nossa literatura para as crianças uma antologia da poesia brasileira inspirada nesse conceito. O que sempre houve até aqui era poesia especialmente composta para crianças. Partia-se do errado pressuposto que às crianças se deve falar de crianças. Ora, as crianças gostam de brincar com outras crianças mas querem ouvir histórias, não de crianças, mas de gente grande. Eu também já caí nesse engano de tentar escrever poesia para crianças. Um dia descobri crianças que gostavam de versos meus que são tudo o que há de mais impróprio para crianças. Até da “Estrela da Manhã”
Bem, não se devem pôr na mão das crianças poemas como a “Estrela da Manhã”. É possível , porém, colher na poesia para toda a gente, boa poesia que agrade também às crianças.
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Manuel Bandeira. Andorinha, Andorinha. Editora José Olympio, p. 217
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Pintura de Constantin Hansen

2 comentários:

Roseane, disse...

Que lindo!! Você escreve com tanta sensibilidade, trazendo sempre palavras dessas celebridades que às vezes estão esquecidas. Bjks.

luzdeluma disse...

Leonor, a poesia é atemporal e como tal algumas acompanham a pessoa durante a vida toda. Não sei se crianças compreendem o total significado das palavras, isso alem da leitura merece análise, porém agrada muito as crianças, o ritmo: a dança das palavras. Boa semana! Beijus