7 de abr. de 2007

Entrevista com António Garcia Barreto


Acabei de entrevistar o querido escritor português António Garcia Barreto para o meu blog O MUNDO ENCANTADO DE CECÍLIA MEIRELES.



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.Vou compartilhar com vocês esta entrevista presenteada por António:
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P –
Onde você nasceu e como era a sua cidade?
Eu nasci em Amadora, localidade situada no perímetro da Grande Lisboa, hoje cidade e sede de concelho com cerca de 250 000 habitantes. Quando eu era criança o lugar era muito interessante. Tinha (e continua a ter) estação de caminhos-de-ferro (linha Lisboa-Sintra), um clube de futebol, o Estrela da Amadora, hoje na 1.ª Liga de Futebol, e um outro, a Associação Académica da Amadora, ligada ao hóquei em patins e à ginástica; um cinema e uma Academia Militar, onde se formavam os oficiais do Exército, no lugar onde antes existira um campo de Aviação. Nessa altura toda a gente se conhecia. Hoje ninguém se conhece. Mas há muitos anos que não moro lá.
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P – Como foi a sua infância?

Fui uma criança muito feliz, educada por duas famílias. Frequentei a escola privada e a escola pública. Dizem que era bom aluno, mas estudava pouco. Tinha muitos amigos, que a Guerra Colonial, em que participei, depois separou, definitivamente. Jogava muito à bola, metia-me em aventuras, lia muitos livros, sobretudo livros aos quadradinhos ou banda desenhada.
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P –
Como era a escola onde você estudou?
Como disse, estudei na escola privada e na escola pública. A qualidade do ensino era muito boa, em ambas. Mas não havia, como hoje, actividades circum-escolares, visitas a museus, bibliotecas, etc. Estudava-se pelos livros oficiais e só por esses. Era no tempo de Salazar, o ditador que governou Portugal durante 48 anos, um tempo sem liberdade para nada.
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P –
Quais eram os livros que você gostava de ler?
Contos de fadas, histórias tradicionais, aventuras de cowboys e índios em histórias aos quadradinhos. Quando já era um pouco mais crescido gostava muito de ler romances sobre a Segunda Guerra Mundial. Eu ambicionava ser oficial da marinha de guerra!
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P –
Quando você era criança já sonhava ser escritor?
Já! Eu tinha boas notas a Português e as minhas redacções eram muito elogiadas. Com doze anos comecei a escrever um romance numas grandes folhas de papel de 35 linhas, usado na época. Claro que não passei das primeiras vinte páginas, ou coisa parecida.
.P – Quando você começou a escrever?
Por volta dos meus 17 anos ganhei o meu primeiro prémio num concurso de contos no Liceu. A partir daí escrevi cada vez mais. Primeiro publicava nos jornais poesia e pequenas crónicas, até que um dia surgiu a oportunidade de publicar o meu primeiro livro.
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P –
Qual foi o primeiro livro que você escreveu?
Foi um pequeno livro para crianças intitulado «Botão Procura Casa». No ano de 1977.
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P –
Por que você escreve?
Porque não consigo viver sem escrever. Preciso de escrever todos os dias. Ou quase todos. Escrever é um trabalho… que dá muito trabalho! Escrever é o meu jeito de falar com os outros. É assim como sentir fome e sede, o que nos leva de imediato a comer e a beber para nos sentirmos bem. Por isso, eu escrevo para me sentir bem.
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P –
Alguma história que você escreveu já aconteceu de verdade?
O escritor mistura factos reais com o que vai na sua imaginação, aquilo que viu e sentiu, aquilo em que participou. É daí que nascem os livros. Algumas coisas que escrevi aconteceram mesmo, mas um escritor reinventa o que viveu e sentiu no acto de escrever. Como disse Fernando Pessoa: “O Poeta é um fingidor/finge tão completamente/que chega a fingir que é dor/a dor que deveras sente"
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P –
Qual o poema de Cecília Meireles que você mais gosta?
Gosto de vários. Cecília Meireles é uma grande poeta (poetisa?) da língua portuguesa. Mas agora apetece-me este poema. Talvez por eu morar próximo do mar. O poema chama-se Canção.
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Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
– depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar.

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Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre dos meus dedos
colore as areias desertas.

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O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio…


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Chorarei quando for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.


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Depois, tudo estará perfeito:
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.

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P – O que você gostaria de falar para as crianças que frequentam esse blog?
Que sejam muito felizes. Que se divirtam. Que leiam e estudem. Que gostem dos seus amigos. Que protejam o ambiente e que ensinem aos mais velhos como devem fazê-lo! Que plantem árvores, para respirarmos melhor. Que escrevam. Que sorriam. Que sonhem. E que nunca se esqueçam que ainda há muitas crianças que querem ser felizes. Ajudem-nas, sempre que possível. Porque melhor que um sorriso, são dois sorrisos.


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LIVROS PUBLICADOS

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«Conta Comigo, Pai!», Ambar, Porto, 2006
«A Mitra Desaparecida», Ambar, Porto, 2006
«Uma Zebra ao Telefone», Ambar, Porto, 2006
«À Sombra das Acácias Vermelhas», Roma Editora, Lisboa, 2006
«Ensina-me a Namorar», Campo das Letras, Porto, 2005
«Amanhã Regresso a Casa», Ambar, Porto, 2004
«Dicionário de Literatura Infantil Portuguesa», Campo das Letra, Porto, 2002
«Literatura para Crianças e Jovens em Portugal», Campo das Letras, Porto, 1998
«Contos do Amor Breve», Contemporânea Editora, Matosinhos, 2000
«Rubens e a Companhia do Espanto em O Caso da Mitra Desaparecida», Sintra, 2001 (Prémio Literário de Sintra de Literatura Infanto-Juvenil – Adolfo Simões Müller, 2000)
«A Cidade dos Lacraus», Editorial Escritor, Lisboa, 1994
«O Caso da Máscara Desmascarada», Série Brigada Azul, Vega, Lisboa, 2002
«O Caso da Cobra com Asas», Série Brigada Azul, Vega, Lisboa, 2000
«O Luxo da Gata Mafalda», ASA, Porto, 1.ª ed., 1986
«Triângulo de Guerra», MAR-FIM, Sintra, 1988
«A Malta da Rua dos Plátanos», Editorial Caminho, Lisboa, 1981
«Eu Vou Contar a História do Livro», Edições Nave, Lisboa, s/d,
«Um Hipopótamo com Soluços», Edições Nave, Lisboa, 1985
«Tobias, um Gato com Manias», Edições Ró, Cacém, 1982
«Na-Nu, o menino que estudava num livro de pedra», Editorial Caminho, Lisboa, 1979
«História das Três Janelas e outras histórias», Plátano Editora, Lisboa, 1977
«Na Rua Onde Moro», Plátano Editora, Lisboa, 1.ª ed., 1981
«Botão Procura Casa», Plátano Editora, 1.ª ed., 1977




23 de dez. de 2006

Canto de Natal

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Canto de Natal
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O nosso menino
Nasceu em Belém.
Nasceu tão-somente
Para querer bem.
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Nasceu sobre as palhas
O nosso menino.
Mas a mãe sabia
Que ele era divino.
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Vem para sofrer
A morte na cruz,
O nosso menino.
Seu nome é Jesus.
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Por nós ele aceita
O humano destino:
Louvemos a glória
De Jesus menino.
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Manuel Bandeira
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Cartão de Natal

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Cartão de Natal
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Pois que reinaugurando essa criança
pensam os homens reinaugurar a sua vida
e começar novo caderno,
fresco como o pão do dia;
pois que nestes dias a aventura
parece em ponto de vôo, e parece
que vão enfim poder
explodir suas sementes:
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que desta vez não perca esse caderno
sua atração núbil para o dente;
que o entusiasmo conserve vivas
suas molas,
e possa enfim o ferro
comer a ferrugem
o sim comer o não.
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João Cabral de Melo Neto
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Compras de Natal

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Compras de Natal
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A cidade deseja ser diferente, escapar às suas fatalidades. Enche-se de brilhos e cores; sinos que não tocam, balões que não sobem, anjos e santos que não se movem, estrelas que jamais estiveram no céu.As lojas querem ser diferentes, fugir à realidade do ano inteiro: enfeitam-se com fitas e flores, neve de algodão de vidro, fios de ouro e prata, cetins, luzes, todas as coisas que possam representar beleza e excelência.
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Tudo isso para celebrar um Meninozinho envolto em pobres panos, deitado numas palhas, há cerca de dois mil anos, num abrigo de animais, em Belém.
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Todos vamos comprar presentes para os amigos e parentes, grandes e pequenos, e gastaremos, nessa dedicação sublime, até o último centavo, o que hoje em dia quer dizer a última nota de cem cruzeiros, pois, na loucura do regozijo unânime, nem um prendedor de roupa na corda pode custar menos do que isso.
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Grandes e pequenos, parentes e amigos são todos de gosto bizarro e extremamente suscetíveis. Também eles conhecem todas as lojas e seus preços — e, nestes dias, a arte de comprar se reveste de exigências particularmente difíceis. Não poderemos adquirir a primeira coisa que se ofereça à nossa vista: seria uma vulgaridade. Teremos de descobrir o imprevisto, o incognoscível, o transcendente. Não devemos também oferecer nada de essencialmente necessário ou útil, pois a graça destes presentes parece consistir na sua desnecessidade e inutilidade. Ninguém oferecerá, por exemplo, um quilo (ou mesmo um saco) de arroz ou feijão para a insidiosa fome que se alastra por estes nossos campos de batalha; ninguém ousará comprar uma boa caixa de sabonetes desodorantes para o suor da testa com que — especialmente neste verão — teremos de conquistar o pão de cada dia. Não: presente é presente, isto é, um objeto extremamente raro e caro, que não sirva a bem dizer para coisa alguma.
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Por isso é que os lojistas, num louvável esforço de imaginação, organizam suas sugestões para os compradores, valendo-se de recursos que são a própria imagem da ilusão. Numa grande caixa de plástico transparente (que não serve para nada), repleta de fitas de papel celofane (que para nada servem), coloca-se um sabonete em forma de flor (que nem se possa guardar como flor nem usar como sabonete), e cobra-se pelo adorável conjunto o preço de uma cesta de rosas. Todos ficamos extremamente felizes!.São as cestinhas forradas de seda, as caixas transparentes os estojos, os papéis de embrulho com desenhos inesperados, os barbantes, atilhos, fitas, o que na verdade oferecemos aos parentes e amigos. Pagamos por essa graça delicada da ilusão. E logo tudo se esvai, por entre sorrisos e alegrias. Durável — apenas o Meninozinho nas suas palhas, a olhar para este mundo.
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Cecília Meireles
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Texto extraído do livro "Quatro Vozes", Editora Record
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21 de dez. de 2006

Natal na Ilha do Nanja

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Natal na Ilha do Nanja

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Na Ilha do Nanja, o Natal continua a ser maravilhoso. Lá ninguém celebra o Natal como o aniversário do Menino Jesus, mas sim como o verdadeiro dia do seu nascimento. Todos os anos o Menino Jesus nasce, naquela data, como nascem no horizonte, todos os dias e todas as noites, o sol e a lua e as estrelas e os planetas. Na Ilha do Nanja, as pessoas levam o ano inteiro esperando pela chegada do Natal. Sofrem doenças, necessidades, desgostos como se andassem sob uma chuva de flores, porque o Natal chega: e, com ele, a esperança, o consolo, a certeza do Bem, da Justiça, do Amor. Na Ilha do Nanja, as pessoas acreditam nessas palavras que antigamente se denominavam "substantivos próprios" e se escreviam com letras maiúsculas. Lá, elas continuam a ser denominadas e escritas assim.

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Na Ilha do Nanja, pelo Natal, todos vestem uma roupinha nova — mas uma roupinha barata, pois é gente pobre — apenas pelo decoro de participar de uma festa que eles acham ser a maior da humanidade. Além da roupinha nova, melhoram um pouco a janta, porque nós, humanos, quase sempre associamos à alegria da alma um certo bem-estar físico, geralmente representado por um pouco de doce e um pouco de vinho. Tudo, porém, moderadamente, pois essa gente da Ilha do Nanja é muito sóbria.

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Durante o Natal, na Ilha do Nanja, ninguém ofende o seu vizinho — antes, todos se saúdam com grande cortesia, e uns dizem e outros respondem no mesmo tom celestial: "Boas Festas! Boas Festas!"

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E ninguém, pede contribuições especiais, nem abonos nem presentes — mesmo porque se isso acontecesse, Jesus não nasceria. Como podia Jesus nascer num clima de tal sofreguidão? Ninguém pede nada. Mas todos dão qualquer coisa, uns mais, outros menos, porque todos se sentem felizes, e a felicidade não é pedir nem receber: a felicidade é dar. Pode-se dar uma flor, um pintinho, um caramujo, um peixe — trata-se de uma ilha, com praias e pescadores ! — uma cestinha de ovos, um queijo, um pote de mel... É como se a Ilha toda fosse um presepe. Há mesmo quem dê um carneirinho, um pombo, um verso! Foi lá que me ofereceram, certa vez, um raio de sol!

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Na Ilha de Nanja, passa-se o ano inteiro com o coração repleto das alegrias do Natal. Essas alegrias só esmorecem um pouco pela Semana Santa, quando de repente se fica em dúvida sobre a vitória das Trevas e o fim de Deus. Mas logo rompe a Aleluia, vê-se a luz gloriosa do Céu brilhar de novo, e todos voltam para o seu trabalho a cantar, ainda com lágrimas nos olhos.

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Na Ilha do Nanja é assim. Árvores de Natal não existem por lá. As crianças brincam com. pedrinhas, areia, formigas: não sabem que há pistolas, armas nucleares, bombas de 200 megatons. Se soubessem disso, choravam. Lá também ninguém lê histórias em quadrinhos. E tudo é muito mais maravilhoso, em sua ingenuidade. Os mortos vêm cantar com os vivos, nas grandes festas, porque Deus imortaliza, reúne, e faz deste mundo e de todos os outros uma coisa só.
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É assim que se pensa na Ilha do Nanja, onde agora se festeja o Natal.
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Cecília Meireles

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(Texto extraído do livro “Quadrante 1”)
(Foto de Marc Ferrez)
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