21 de mai de 2008

Gaston Bachelard ...

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(...) Quem vive para a poesia deve ler tudo. Quantas vezes, de uma simples brochura, jorrou para mim a luz de uma imagem nova! Quando aceitamos ser animados por imagens novas, descobrimos irisações nas imagens dos velhos livros. As idades poéticas unem-se numa memória viva. A nova idade desperta a antiga. A antiga vem reviver na nova. Nunca a poesia é tão uma como quando se diversifica.
Que benefícios nos proporcionam os novos livros! Gostaria que cada dia me caíssem do céu, a cântaros, os livros que exprimem a juventude das imagens. Esse desejo é natural. Esse prodígio, fácil. Pois lá em cima, no céu, não será o paraíso uma imensa biblioteca?
Mas não basta receber, é preciso acolher. É preciso, dizem em uníssono o pedagogo e a dieteticista, “assimilar”. Para isso, somos aconselhados a não ler com demasiada rapidez e a cuidar para não engolir trechos excessivamente grandes. Dividam, dizem-nos, cada uma das dificuldades em tantas parcelas quantas forem necessárias para melhor resolve-las. Sim, mastiguem bem, bebam em pequenos goles, saboreiem versos por verso os poemas. Todos esses preceitos são belos e bons. Mas um princípio os comanda. Antes de mais nada, é necessário um bom desejo de comer , de beber e de ler. É preciso ler muito, ler mais, ler sempre.
Assim, já de manhã, diante dos livros acumulados sobre a mesa, faço ao deus da leitura a minha prece de leitor voraz: “A fome nossa de cada dia nos daí hoje...”
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Gaston Bachelard. A Poética do Devaneio , Martins Fontes, p.25-26
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7 comentários:

Juℓi Ribeiro disse...

Leonor:

Fiquei muito feliz
com a sua visita.
Volte sempre!
Adorei a sua foto
no meu guestbook.
Parabéns pelo seu espaço!
É uma preciosidade!
Eu já tinha te visitado
e já tenho o seu link
no link dos meus amigos
há tempos...

Adorei a sua postagem!
Belo texto!
"...As idades poéticas unem-se numa memória viva. A nova idade desperta a antiga. A antiga vem reviver na nova..."
Um abraço no seu coração.
Beijo.

Dalva Maria Ferreira disse...

Livro, um amigo que se revela cada novo encontro. O texto é sempre o mesmo, quem muda somos nós.

Maria Augusta disse...

Leonor, adorei a frase "Pois lá em cima, no céu, não será o paraíso uma imensa biblioteca?". Verdade que lendo mais e mais enriquecemos nossa vida com universos variados.
Obrigada pela visita ao meu "Jardin" e pelo comentário. Pode utilizar as fotos que desejar, é um imenso prazer para mim saber que essas imagens tocaram uma pessoa de tanta sensibilidade. Grande beijo e bom fim de semana.

Sonia H. disse...

Ai,que maravilha este trecho do Gaston Bachelard. Eu nunca havia lido um livro dele, até que fazendo minhas pesquisas durante o mestrado, comprei um livro dele chamado "O Ar e os Sonhos" - Ensaio sobre a imaginação do movimento.......... Ele fala dos poetas: "Dize-me qual é o teu infinito e eu saberei o sentido do teu universo; é o infinito do mar ou do céu, é o infinito da terra profunda ou da fogueira?(página 6).
Ainda pretendo ler outros livros dele.
Amei......
Beijos,

Leonor Cordeiro disse...

Juli,
Obrigada pelo carinho. Foi um prazer visitar o seu espaço, voltarei muitas vezes. BJS!

Dalva,
Você tem razão, em cada leitura percorremos um novo caminho! BJS!

Maria Augusta,
Já estou com as fotos, logo farei a postagem.
Um bom paraíso tem que acolher uma imensa biblioteca ...
Mil beijinhos para você !

Sônia,
Eu tenho esse livro, a introdução começa com essa citação: "Os poetas devem ser o grande estudo do filósofo que deseja conhecer o homem." JOUBERT, Pensées
Um grande abraço para você !

Poeta Fran Dotti disse...

Leonor,
Gostei muito destas entidades poéticas... São poetas incriveis, poemas muito profundos...
www.poetafrandotti.blogspot.com
para vc acessar e tbem ver um pouco de minhas poesias... poetas amam poetas...
amam fingir e fingem tão completamente que... sempre... sempre esses poetas...
Quando acesso o yahoo ele indica q no seu blog existem comentários e textos citados de meus livros, porém não consigo localizar... estarão em algum post... Abraços
Fran Dotti do Prado

Poeta Fran Dotti disse...

Os poetas... Ah! esses poetas e suas poesias maravilhosas...
Mas... falsos que são, vivem dando rosas... rosas... tantas rosas que depois nem sabem o que fazer com as rosas...
Pobres poetas, encantados poetas, eternos fingidores, amantes, amados, tantos Alvarez de Azevedo... tantos... que são, tão singulares, amados, eternos...
Fran Dotti do Prado
do mesmo livro
FRAN DOTTI DO PRADP "MOMENTO EXATO"