27 de out de 2008

Blogagem coletiva: ABRE ASPAS !

Chegou o dia da blogagem coletiva “Abre Aspas” promovida pela querida Lunna, que vai enfeitar a blogosfera com poesia de primeira.

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Minha escolhida é uma paulista que nasceu na cidade de Santa Rita do Passa Quatro em 1939. Começou a escrever seus poemas aos doze anos de idade e lançou o seu primeiro livro em 1960. Falo de Eunice de Carvalho Arruda ou Enice Arruda como é mais conhecida. Sempre releio os seus poemas que postei nesse blog :



.Carlos Machado, em seu site Alguma Poesia, comenta a sua obra:


“Em versos breves de poemas quase sempre curtos, Eunice traz sempre um tom de desencanto em sua observação do mundo e dos mistérios da poesia. Mas esse desencanto é marcado por uma atitude de quem enfrenta cada palmo do chão em que precisa pisar. É uma poesia de quem se quer vivo e vívido: "Nunca morrer/ enquanto viver" (Propósito). Ou, então, de quem não desiste diante dos descaminhos: "Edifiquei minha / casa sobre a / areia // Todo dia recomeço" (Erro).
Em sua poesia, Eunice Arruda não mente, nem para si mesma nem para o leitor. Esse traço a poeta parece cultivar desde os primeiros passos. Observe-se, por exemplo, o poema "Deus e o Domingo", de 1963. Cedo, a escritora deve ter descoberto que não há soluções milagrosas para as nossas dores. Ela sabe que há, sim, pequenas felicidades e encantamentos — que, em seu ponto de vista, são "horas de trégua". Mas esses momentos só ocorrem "quando se afiam / as facas" (Observando).
Talvez seja exatamente por causa dessa aguda consciência da realidade que a poeta Eunice Arruda sonha com um poema "livre da gramática e do som das palavras". Um poema tão livre "que traga em si a decisão / de ser escrito ou não". Drummond também escreveu que o poema ideal seria aquele que se faz sem poeta. Como isso é apenas um sonho, continuamos a precisar dos poetas: Drummonds, Eunices etc."
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Através de seus versos Eunice toca a minh’alma. Foi difícil escolher um poema para essa postagem, resolvi escolher dois, entrelaçados pelo mesmo tema – vida e morte.
Que fale Eunice na sua dança das palavras:


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Propósito

Viver pouco mas
viver muito
Ser todo o pensamento
Toda a esperança
Toda a alegria
ou angústia - mas ser
.
Nunca morrer
enquanto viver
.
.
.

Um dia

um dia eu
morrerei
de sol, de
vida acumulada
na convulsão
das ruas
. .
um dia eu
morrerei e não
podia:
.
. há poemas escorregando de meus dedos
e um vinho não
provado

( do livro “OS MOMENTOS” – l981 )
.
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Seus livros:
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É tempo de noite. São Paulo, Massao Ohno, 1960.
O chão batido. Coleção Literatura Contemporânea, 1963.
Outra dúvida. Lisboa, Panorâmica Poética Luso-Hispânica, 1963.
As coisas efêmeras. São Paulo, Ed. do Brasil, 1964.
Invenções do desespero. São Paulo, edição da autora, 1973.
As pessoas, as palavras. São Paulo, Ed. do Escritor, 1984 (2.ed).
Os momentos. São Paulo, Nobel, 1981.
Mudança de lua. São Paulo, Scortecci, 1986 (1.ed.); 1989 (2.ed.)
Gabriel:. São Paulo, Massao Ohno, 1990.
Risco. São Paulo, Nankin Editoral, 1998
À Beira. Rio de Janeiro, Blocos, 1999.
Há estações . São Paulo, Escrituras Editora, 2003
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9 comentários:

acqua disse...

Eu tive o prazer de conhecer Eunice Arruda pessoalmente, ela é para mim o mesmo que suas poesias. Gostei da sua lembrança, mas juro que achei que iria postar Cecília Meireles, mas como tens outros blogs... Hummm.
Grata pela sua participação. Abraços meus

Espaço Mensaleiro disse...

Parabéns!

Apareça!
Eliana Alves

Vanessa disse...

Não conhecia a poeta, obrigada por me apresentar.

Abraço

Flor ♥ disse...

Boa noite! Obrigada pela oportunidade de conhecer Eunice Arruda. Belas postagem, belo poema, belíssimo Blog!

Bjs.
Flor ♥

Michelle Müller disse...

Leonor

Que escolha magnífica... adorei conhecer Eunice... Parabéns pela escolha e obrigada por compartilhar conosco tão belas palavras...
estrelinhas coloridas

ju rigoni disse...

Oi, Leonor!

Perdoe a demora. Com a proximidade do final do ano fico cada dia mais enrolada com o trabalho...

Venho agradecer o convite e te dizer que aceito participar da blogagem coletiva "Hoje é dia de Cecília". Impossível recusar um convite como este. Inscrevo desde já dois de meus blogues: o Medo de Avião e o Navegando...

Quanto ao seu post, devo dizer que amei mergulhar nas palavras de Eunice. Belíssima escolha!

Bjs e inté!

Deusa Odoyá disse...

Olá meu novo amigo.
Passei para conhecer seu cantinho.
Não conhecia essa escritora, vou procurar ler seus livros.
beijos , e uma semana abençoada para tí.


Sua nova amiga.

Regina Coeli.

Deusa Odoyá disse...

Olá amiga, desculpe.
Saiu como amigo, estou corrigindo.

Amiga, Leonor.

Madalena Barranco disse...

OLá qurida leonor,

Eu não conhecia essa poeta maravilhosa. Obrigada por apresentar a Eunice com sua poesia direta e real.

Beijos, Madá