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Algum dia o poema será a buganvília
pendente deste muro da Calçada da Graça.
Produz uma semente que faz esquecer os jornais, o emprego e a família,
e além disso tudo atapeta o passeio alegrando quem passa.
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Mas antes desse dia há-de secar a buganvília
e o varredor há-de levar as flores secas para o monturo.
Depois cairá o muro.
E como o tempo passa
mesmo contra a vontade,
também há-de acabar a Calçada da Graça
e o resto da cidade.
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Então, quando nada restar, nem o pó de um sorriso
que é o mais leve de tudo que se pode supor,
será esse o momento de o poema ser flor,
mas já não é preciso.
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António Gedeão
pendente deste muro da Calçada da Graça.
Produz uma semente que faz esquecer os jornais, o emprego e a família,
e além disso tudo atapeta o passeio alegrando quem passa.
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Mas antes desse dia há-de secar a buganvília
e o varredor há-de levar as flores secas para o monturo.
Depois cairá o muro.
E como o tempo passa
mesmo contra a vontade,
também há-de acabar a Calçada da Graça
e o resto da cidade.
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Então, quando nada restar, nem o pó de um sorriso
que é o mais leve de tudo que se pode supor,
será esse o momento de o poema ser flor,
mas já não é preciso.
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António Gedeão
3 comentários:
Eu adoro as bouganvilles, estou até pensando em me dar uma de natal! Mas não sabia que já tinham feito um poema para ela! Linda postagem.
beijos
São lindas as primaveras, as vezes se misturam nas arvores outras com cores diferentes formam guirlandas lindas nos jardins de quem tem paciência de esperar elas crescerem.
Temos desencontros de momentos e isso é sempre triste, o poema poder ser flor e já não ser preciso.
beijos
Lindíssimo .Grato pela partilha.
Abraço.
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