29 de mai de 2010

Pequenas coisas

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Falar do trigo e não dizer
o joio. Percorrer
em voo raso os campos
sem pousar
os pés no chão. Abrir
um fruto e sentir
no ar o cheiro
a alfazema. Pequenas coisas,
dirás, que nada
significam perante
esta outra, maior: dizer
o indizível. Ou esta:
entrar sem bússola
na floresta e não perder
o rumo. Ou essa outra, maior
que todas e cujo
nome por precaução
omites. Que é preciso,
às vezes,
não acordar o silêncio.
.
Albano Martins

in Escrito a vermelho.Campo das Letras, 1999
(Foto de Marc Ferrez)

7 comentários:

Assis Freitas disse...

pequenas grandiosidades, é preciso estar desperto. abraço

Gêh disse...

As pequenas coisas são de fato as maiores da vida!
bjs

angela disse...

Bonito poema.
Pequenas ou grandes são as coisas que compõem nossa vida sensivel.
Gosto quando aparece.
beijos

José Carlos Brandão disse...

É preciso escutar as coisas,
É preciso escutar o silêncio.
Entra-se no êxtase da poesia,
Vê-se a face de Deus.

Um grande abraço.

manuel marques disse...

De pequeno se faz grande.

Beijo.

Suzana Martins disse...

Pequenas coisas, grandes sonhos... Lindos versos!!!

Beijos meus!!

Eduardo Eugênio Batista disse...

Em toda uma imensidão há divisões... Quer no olhar, no ser, no ter, etc... O que não se mensura, é a humildade do fazer essas pequenas coisas.