7 de ago de 2010

As palavras

Jean Sebastien Monzani

.
.
. São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.
.
Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.
.
Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.
.
Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?
.
Eugénio de Andrade
(De Coração do Dia )
.
.

9 comentários:

angela disse...

Lindas palavras de poesia pura.
beijos

Leonardo B. disse...

[sempre a palavra na essência do mundo, sempre o mundo como essência do coração]

um imenso abraço, Leonor

Leonardo B.

José Carlos Brandão disse...

Eugénio de Andrade sabia das coisas - da poesia, das palavras.
Um grande abraço.

Assis Freitas disse...

Seus poetas são pura primazia de ressonancia verbal,

abraço

Marisa Vieira disse...

Uau Leonor!
Que blog mais belo, adorei seu espaço, visitarei com frequência.

beijo da Marisa

Valéria Sorohan disse...

Fiquei encantadíssima com sua poesia. Tua escrita, corta e remenda, pele e alma. Tua escrita, arrepia, quem lê.

BeijooO*

Lua Nova disse...

Palavras articuladas com essa leveza, encantam.
Um lindo domingo pra vc.
Beijos.

manuel marques disse...

Não sabemos da alma senão da nossa;
As dos outros são olhares,
são gestos, são palavras,
com a suposição
de qualquer semelhança
no fundo.

Fernando Pessoa

Suzana Martins disse...

Que delícia de palavras que gruda e abraça o meu coração!!

"barcos ou beijos,
as águas estremecem."