16 de abr de 2011

Liberdade

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Delacroix - A Liberdade conduzindo o povo
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. Nos meus cadernos de escola
Nesta carteira nas árvores
Nas areias e na neve
Escrevo teu nome .

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Em toda página lida
Em toda página branca
Pedra sangue papel cinza
Escrevo teu nome

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Nas imagens redouradas
Na armadura dos guerreiros
E na coroa dos reis
Escrevo teu nome .

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Na selva e no deserto
Nos ninhos e nas giestas
No céu da minha infância
Escrevo teu nome

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Nas maravilhas das noites
No pão branco da alvorada
Nas estações enlaçadas
Escrevo teu nome .

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Nos meus farrapos de azul
No tanque sol que mofou
No lago lua vivendo
Escrevo teu nome .

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Nas campinas do horizonte
Nas asas dos passarinhos
E no moinho das sombras
Escrevo teu nome

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Em cada sopro de aurora
Na água do mar nos navios
Na serrania demente
Escrevo teu nome

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Até na espuma das nuvens
No suor das tempestades
Na chuva insípida e espessa
Escrevo teu nome


Nas formas resplandecentes
Nos sinos das sete cores
E na física verdade
Escrevo teu nome .

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Nas veredas acordadas
E nos caminhos abertos
Nas praças que regurgitam
Escrevo teu nome

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Na lâmpada que se acende
Na lâmpada que se apaga
Em minhas casas reunidas
Escrevo teu nome

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No fruto partido em dois
de meu espelho e meu quarto
Na cama concha vazia
Escrevo teu nome

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Em meu cão guloso e meigo
Em suas orelhas fitas
Em sua pata canhestra
Escrevo teu nome .

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No trampolim desta porta
Nos objectos familiares
Na língua do fogo puro
Escrevo teu nome

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Em toda carne possuída
Na fronte de meus amigos
Em cada mão que se estende
Escrevo teu nome

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Na vidraça das surpresas
Nos lábios que estão atentos
Bem acima do silêncio
Escrevo teu nome


Em meus refúgios destruídos
Em meus faróis desabados
Nas paredes do meu tédio
Escrevo teu nome

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Na ausência sem mais desejos
Na solidão despojada
E nas escadas da morte
Escrevo teu nome .

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Na saúde recobrada
No perigo dissipado
Na esperança sem memórias
Escrevo teu nome

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E ao poder de uma palavra
Recomeço minha vida
Nasci pra te conhecer
E te chamar

Liberdade
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Paul Éluard
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(Poema escrito em 1942 com o título "Une Seule Pensée
(Tradução de Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira )
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2 comentários:

manuel marques disse...

"O homem livre é aquele que não receia ir até ao fim da sua razão."

Beijo.

Ingrid disse...

perfeita escolha Leonor..
a liberdade..
beijos querida e boa semana..