5 de nov de 2012

Reencontro...

Parece que foi ontem que escrevi a última postagem, mas a data impressa me contradiz marcando a passagem do tempo. Escolhi o poeta checo Jaroslav Seifert  para marcar nosso reencontro:





FUNERAL SOB A MINHA JANELA

Queixo-me ao vento, a nossa vida não é senão um minuto,
cavalos, regressem,
se pelo menos os cavalos pudessem regressar:
regressem ao nosso tempo, uma vez mais para recomeçar!

Se pelo menos os ponteiros invertidos do relógio nos pudessem trazer
de volta os momentos que desperdiçamos, aos bocadinhos,
se pelo menos a engrenagem, operando em sentido contrário,
pudesse deslindar o nó do suicídio,
se pelo menos a lua que ainda ontem se deitou
regressasse uma vez mais ao céu de hoje,
se pelo menos conseguíssemos chorar de novo
as nossas mágoas triviais!

Queixo-me ao vento ─ ouçam o seu lamento agoniado ─
se pelo menos o vento pudesse trazer de novo,
trazer de novo a máscara da pele morta ─
a máscara que no sopro da morte
deslocou da face um último fôlego
e que o vento agora varre e desgasta ─
para que nos beijemos uma vez mais
antes que esvaneça e se despedace
no cimo das árvores, nas gotas da chuva
.


Jaroslav Seifert, in Piolho 001, trad. Sílvia C. Silva, Edições Mortas, Maio de 2010, pp. 57-58

Um comentário:

Assis Freitas disse...

que bom que regressastes,


beijo