20 de abr de 2007

Entrevista com Lúcia Hiratsuka

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Na minha infância, duas colônias de imigrantes influenciaram profundamente a minha maneira de ser: os italianos e os japoneses.
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Família Miata
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No sítio dos Kavashimas, dos Miatas e dos Viziolis, passei momentos mágicos entre os banhos nos córregos, a mesa farta, a maneira generosa de compartilhar o afeto.
Por isso estou muito feliz com a visita de Lúcia, uma escritora que conheceu um lugar importantíssimo da minha infância - a estação de trem de Pacaembu .


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O trem que ia para a capital, cruzava a cidade e dividia os meus dias, me ajudava a controlar as horas. Das suas janelas eu vi passar o mundo pelos meus olhos .
Mas essas histórias sobre a minha infância ficam para outra hora, agora vamos conhecer as histórias de Lúcia Hiratsuka:
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Lúcia Hiratsuka

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ENTREVISTA
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Onde você nasceu e como era a sua cidade?
Nasci num sítio, na região conhecida como “ASAHI” (sol da manhã em japonês). Perto de fazer 10 anos, eu me mudei para Duartina, uma pequena cidade no interior de São Paulo, com uma praça bonita, quase todas as ruas calçadas em pedra sabão. Essa cidade já foi conhecida como a “Capital da Seda”.

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Como foi a sua infância?
Brinquei muito no quintal da minha casa. Ali eu dava milho para as galinhas, subia na mangueira, brincava com meus irmãos, e desenhava muito no chão de terra, ou nas paredes do ranchinho usando o carvão. Também lembro de ter aprendido algumas cantigas e ouvido muitas histórias contadas pela minha avó.
E tinha algumas obrigações. Ia catar ovos, varria a casa, ajudava a lavar as louças.
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Como era a escola onde você estudou?
Antes de entrar na escola, o meu avô me ensinou a ler e escrever em japonês. E quando fiz sete anos, comecei a ir para a escola rural. Acordava muito cedo porque precisava caminhar durante uma hora. Mas era gostoso. Eu e mais algumas crianças do vizinho íamos conversando, cantarolando, chutando pedrinhas; de vez em quando comíamos todo o lanche no caminho.
Na quarta série eu me mudei para a cidade e a partir daí estudei na Escola Municipal de Duartina.
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Quais eram os livros que você gostava de ler?
Naquela época era muito mais difícil ter acesso às bibliotecas e livrarias. Por sorte, na minha casa tinha muitos livros porque o meu avô e a minha mãe gostavam de ler. Mesmo quando eu não sabia ler, a minha mãe, no pouco tempo que ela encontrava entre cuidar da casa, ajudar o meu pai a criar bicho-da-seda, lia para mim e meus irmãos.
O meu pai assinava uma espécie de revista japonesa (parecia mais um livro, muitas páginas, com lombadas grossas) que vinha um pouco de tudo. Contos clássicos, biografias, acontecimentos históricos, mangás e algumas brincadeiras como adivinhas, palavras cruzadas. .
Quando você era criança, já sonhava em ser escritora?
Eu vivia desenhando, sonhando trabalhar com desenho um dia. Hoje, lembro que os meus desenhos gostavam de contar histórias. E algumas vezes desenhava em forma de quadrinhos, colocando textos.
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Quando você começou a escrever?
Nessa época que ainda morava no sítio e tentava contar uma história com desenhos, eu escrevia em japonês, mais por causa das referências de livros que tinham em casa.
Acho que pensar objetivamente em escrever uma estória para virar um livro, foi quando comecei a ilustrar; isso foi depois que me formei na Faculdade de Belas Artes de São Paulo.
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Qual foi o primeiro livro que você escreveu?
Para conseguir o meu primeiro trabalho de ilustração, eu criei uma estória e mandei para uma editora. E foi aceito. Isso aconteceu por volta de 1984. Mas eu me dediquei boa parte do meu tempo para as ilustrações. Atualmente, penso que o meu trabalho é pensar em um projeto, seja com desenhos, com palavras, e principalmente misturando essas duas linguagens.
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Por que você escreve?
Escrever ou desenhar, sempre, porque eu gosto, é um prazer. Nem sempre são momentos tranqüilos. Às vezes o trabalho não flui, fico ansiosa, sinto insegura, mas isso também é parte de um processo.
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Alguma história que você escreveu já aconteceu de verdade?
Mesmo partindo de um acontecimento real, depois de escrito, aprendi que a história precisa se tornar independente, ter vida própria. Muitas vezes ficamos presos nos fatos e a narrativa não se desenvolve muito bem. Aí entra o trabalho de ficar lendo, relendo, lapidando o texto. Ou muitas vezes, deixar adormecer um tempo.
Por outro lado, o ponto de partida está em mim mesmo, nas coisas que me encantam, nas minhas perguntas, nos meus medos e inquietações...
Agora estou escrevendo uma história que me inspirei num episódio real que a minha mãe me contou. Mas isso é só um início, a própria história vai se desenvolvendo, transformando. Ao menos é isso que eu espero e tento, nem sempre consigo. O importante é não se acomodar nunca.
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Qual o poema de Cecília Meireles que você mais gosta?
Acabei criando um carinho especial por aqueles que eu já ilustrei:
“O menino azul” (para crianças), “Lua adversa” , “Canção do Campo”e “Canção Excêntrica” (esses fazendo parte de coletânea de poemas).
Também quero citar : “Colar de Carolina” e “Retrato”. Gosto muito de Cecília Meireles.
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O que você gostaria de falar para as crianças que freqüentam esse blog?
Talvez eu possa enviar um desenho?
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Alguns dos seus livros :
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.O abanador mágico do Tengu
O casamento da ratinha
Urasnhima Taro: a história de um pescador
Contos das Montanhas
Um rio de muitas cores
Lin e o outro lado do bambuzal
Um chá na casa de Dona Lalá
Um passeio diferente
De quem são as pegadas?
Contos e lendas do Japão

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http://www.luciahiratsuka.com.br/
http://caracol.imaginario.com/autografos/luciahiratsuka/index.html


18 de abr de 2007

Entrevista com Cláudio Martins

(Entrevista concedida ao blog O MUNDO ENCANTADO DE CECÍLIA MEIRELES)
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Cláudio Martins


Cláudio Martins iniciou sua carreira em 1971 fazendo capas de livros para as editoras Interlivros e Itatiaia. Na década de 80, começou a ilustrar livros infantis; o primeiro foi O galo de briga, de paz, PAULUS. Em seguida, começou a aparecer o reconhecimento pelo seu brilhante trabalho nessa área, sendo selecionado para o Prêmio Catalunha de Ilustração (Espanha) em 1989. Em 1990, participou da lista de Honra do IBBY – International Board on Books for Young People, que a cada dois anos seleciona, dentre todos os países membros, os cem melhores ilustradores, autores e tradutores. Em 1991, ganhou o Prêmio Jabuti de Ilustração. Em 1992, começou a trabalhar também como escritor. Seu primeiro livro, Eu e minha luneta, ganhou os mais importantes prêmios daquele ano: o Jabuti de Ilustração, o APCA, Autor Revelação e Melhor Livro para Crianças. Em 1993, a União Brasileira de Escritores conferiu ao ilustrador o Prêmio Adolfo Aizem. Já ilustrou cerca de 300 livros, fez aproximadamente 1000 capas e tem cerca de 40 livros de sua autoria. Foi coordenador do Projeto Internacional de Ecodesenvolvimento e Tecnologias Apropriadas pelo Centro Tecnológico de Minas Gerais e pelo Instituto de Ciências do Homem de Paris. Participou também da Organization for Economic Cooperation and Development – OCDE. (http://www.paulus.com.br/imprensa/detalha_materias.php?id=1752)

ENTREVISTA
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Onde você nasceu e como era a sua cidade?
Nasci em Juiz de Fora/MG. Minha cidade era bonita, limpa e agradável. Depois ficou meio sujinha e poluída como a maioria das cidades brasileiras.

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Como foi a sua infância ?
Minha infância foi também bonita, limpa e agradável e continua a ser assim, principalmente porque dedico todo meu tempo às crianças, essa invenção maravilhosa!
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Como era a escola onde você estudou?
Tenho lembranças incríveis da minha primeira escola. Me lembro até do cheiro das árvores, das carteiras, dos cadernos e principalmente do cheiro da merenda!
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Quais eram os livros que você gostava de ler ?
Todos os do Monteiro Lobato. Lia, relia e depois lia de novo...
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Quando você era criança, já sonhava em ser escritor?
Eu sonho até hoje .
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Quando você começou a escrever ?
Eu ilustrava livros de outros autores. Foram muitos. Em 1992 escrevi meu primeiro texto que se chama "Eu e minha Luneta", da editora Formato.
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Por que você escreve?
Porque as crianças são invenção, criatividade, fantasia, imaginação em forma de gente. Escrever para elas é ficar um pouco junto da melhor época da vida.
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Alguma história que você escreveu já aconteceu de verdade?
Já. Às vezes nem toda a história, mas uma boa parte dela.
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Qual o poema de Cecília Meireles que você mais gosta?
Que pergunta difícil! Cecília é completa, tem poemas para nos atender em todas as situações, em todas as vontades, todas as tristezas, todas as belezas. Cecília Meireles é alegria.
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O que você gostaria de falar para as crianças que freqüentam esse blog ?
Tudo que eu fiz nestes últimos anos foi tentar, tentar e tentar de novo ser novamente menino. Correr atrás da felicidade. Confesso que vocês me matam de inveja, uma invejinha gostosa, uma vontade de imitá-los. Meus livros são isso: uma recriação da vida linda de vocês, que eu tento imitar todo dia. Um grande MUITO OBRIGADO e beijocas para todos vocês!
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ALGUNS DOS SEUS LIVROS
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O ANJO DE CARTOLA
O JARDIM
CHICOTINHO DO DIABO
O DIA EM QUE A CASA CAIU
O DIA EM QUE A TERRA ESCURECEU
O DIA EM QUE O REI LÓGIO PAROU
O FEITIÇO DA VILA
E SE O MUNDO CAIR?
NO FIM DO MUNDO MUDA O FIM
OMAR E O MAR
OLHAR DE BICHOS
EU E MINHA LUNETA
QUANDO EXPLODEM AS ESTRELAS
UMA PASSEIO PELA ESCOLA
MENINOS, EU VI !
OTO E O CONTROLE REMOTO
QUE TRANSITO MALUCO
ANITA NUMA NOITE ESQUISITA
CONFUSO HORÁRIO
A FESTA
BICHO NA ESTRADA
A VIDA SABIDA DE CASMURRO, O BURRO ! – Ecologia 2

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16 de abr de 2007

Entrevista com Eliana Martins

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OBRAS PUBLICADAS
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BATE BOCA NO CANTEIRO... A MINHOCA VIU PRIMEIRO - Ed. Vozes
A CAIXA – E. Loyola
CANÇÃO PARA CHAMAR O VENTO - (co-autoria c/ Rosana Rios), Ed. Moderna
BIDZIM - Ed. Vozes
UM PRESENTE ESPECIAL (versão e adaptação), JEJ Edit
A FESTA DOS URSINHOS - (versão e adaptação), JEJ Edit
ANIMAIS DA FAZENDA - (versão e adaptação), JEJ. Edit
FELIZ NATAL - (versão e adaptação), JEJ Edit.
O LIVRO DO BEBÊ - (versão e adaptação), JEJ Edit.
MEU LIVRO PARA COLORIR - (versão e adaptação), JEJ Edit.
NA ÉPOCA DOS DINOSSAUROS - (versão e adaptação), JEJ Edit.
UMA FESTA DE CHANUKA - (versão e adaptação), JEJ Edit.
UMA AVENTURA NO ESPAÇO - (versão e adaptação), JEJ Edit.
UMA TARDE NO CIRCO - (versão e adaptação), JEJ Edit.
GOL DE PLACA - (versão e adaptação), JEJ Edit.
A ARCA DE NOÉ - (versão e adaptação), JEJ Edit.
QUERO SER GRANDE - (versão e adaptação), JEJ Edit.
BOLA AO CESTO - (versão e adaptação), JEJ Edit.
MEU PRIMEIRO DIA DE AULA - (versão e adaptação), JEJ Edit.
MAMÃE GANSO - (versão e adaptação), JEJ Edit.
MINHA TERRA QUERIDA - (versão e adaptação), JEJ Edit.
FIQUE BOM LOGO! - (versão e adaptação), JEJ Edit.
A PEQUENA SEREIA - (versão e adaptação), JEJ Edit.
ALADIM - (versão e adaptação), JEJ Edit.
MICKEY - (versão e adaptação), JEJ Edit.
MINIE - (versão e adaptação), JEJ Edit.
O REI LEÃO - (versão e adaptação), JEJ.Edit.
O CORCUNDA DE NOTRE DAME - (versão e adaptação), JEJ Edit.
A BELA E A FERA - (versão e adaptação), JEJ Edit.
O MISTÉRIO DO DIAMANTE - (co-autoria c/ Rosana Rios), Quinteto
DO OUTRO LADO DO ARCO-ÍRIS - Ed. Paulinas
O ÚLTIMO PORTAL - (co-autoria c/ Rosana Rios), Companhia das Letras
UM E-MAIL EM VERMELHO - (co-autoria c/ Manuel Filho), Ed. Saraiva
O CAMINHO DAS PEDRAS - (co-autoria c/ Rosana Rios), Companhia das Letras
CARA DE BOLACHA - Ed. Scipione
ALÉM DO PORTÃO DA VILA - Edições SM
RECEITAS NOJENTAS - IDÉIAS BOLORENTAS - Ed. Melhoramentos
O MÃO DE VELUDO - Escala Educacional
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ENTREVISTA
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Onde você nasceu e como era a sua cidade?
Nasci na cidade de São Paulo, estado de São Paulo. Acho minha cidade linda até hoje; mas, quando eu era criança, São Paulo era mais calma, não passava tanto carro, não tinha tanto assalto, e a gente podia brincar na rua.
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Como foi a sua infância ?
Foi das mais gostosas possível. Vivi a minha infância na época em que se morava em casa com quintal. Na minha, havia uma goiabeira, uma mangueira e um, abacateiro; em cima do qual meus irmãos e eu fizemos uma plataforma de madeira para vigiar se não vinha algum animal feroz. (morávamos no bairro do Bixiga, centro de São Paulo). Também brinquei muito na rua; de roda, de pega-pega. Tomei banho de caixa-d´água (ou carro-pipa), que vinha lavar a rua, nos dias de feira. Brinquei muito de boneca, de fazer comidinha. Depois, todas as noites, ouvia histórias contadas pela minha mãe, meu pai ou dos meus avós. Foi bom demais!Como era a escola onde você estudou?A escola em que cursei as 4 primeiras séries, ou curso primário, como se chamava, naquela época, era de freiras. Lá, aprendi a respeitar as pessoas, a rezar, a acreditar nos dias melhores; além de ler e escrever, é claro. Era uma escola muito limpa. Tinha aula de bordado, de música (com instrumentos e tudo). Eu tocava piano na bandinha escolar; mas, de vez em quando, também entrava na percussão tocando coco.
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Quais eram os livros que você gostava de ler ?
Na época em que fui criança, não havia tantos livros de autores brasileiros como hoje. Eu li toda a coleção de Monteiro Lobato, e queria que minha avó comprasse um sítio que nem o da Dona Benta. Além do Lobato. Também li todos os livros do Francisco Marins; que falavam muito de folclore e vida no campo, que eu amo. Mas nas noites frias, no inverno de São Paulo, eu ouvia, bem cobertinha na minha cama, minha mãe contando os clássicos: A Bela Adormecida; Branca de Neve; O Gato de Botas; e tantas outras maravilhas. Mas, uma vez, minha mãe cpontou a vida da Joana D´Arc, e eu me matei de chorar porque a Joana tinha ido embora de casa e ficado longe dos pais.
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Quando você era criança, já sonhava em ser escritora?
Não. Nunca pensei me tornar escritora.Eu gostava de escrever, isso sim. Desde pequena escrevia versinhos, que dava de presente para a família e aos amigos. Também tinha um caderno cheio de histórias que eu inventava.Mas não imaginava ter a escrita como profissão.
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Quando você começou a escrever ?
Bem, eu estudei magistério e me especializaei em crianças com necessidades especiais. Fui trabalhar na AACD. Lá, comecei a criar histórias e teatrinhos, para conseguir passar noções básicas das matérias escolares para as crianças com dificuldade de aprendizado. Mas nunca publiquei nada disso. Só criava para meus alunos.Um belo dia...Deu a louca; entrei para um grupo de escritores chamado CELIJU. Ali, conheci pessoas que tenho por amigos até hoje. Incentivada por eles, criei uma história e mandei para uma editora. Eles gostaram e publicaram. Daí não parei mais.
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Qual foi o primeiro livro que você escreveu?
Foi um livro infantil chamado Bate-Boca no Canteiro, a Minhoca Viu Primeiro. Ele foi publicado pela editora Vozes.
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Por que você escreve?
Essa pergunta é muito interessante. Acho que escrevo primeiro para mim mesma, depois para o leitor.Vou explicar: a gente vai, sem querer, criando histórias na cabeça. A vida, as pessoas, as coisas, nada passa despercebido para o escritor. Uma hora, precisamos falar, pôr para fora tudo o que vimos, observamos, sentimos. Então escrevemos. As melhores histórias são as que escrevemos com o coração. Parece que o leitor percebe isso. Canso de receber e-mails e cartinhas de leitores dizendo terem sentido a mesma emoção que eu, ao ler determinado livro.
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Alguma história que você escreveu já aconteceu de verdade?
Como disse acima, em toda história que escrevemos há um pouco de verdade. Um rosto, um sentimento, um nome. Mas, particularmente, já escrevi três livros que contam histórias verdadeiras: Além do Portão da Vila (Edições SM), que fala um pouco da vida da minha mãe e dos meus avós; Receitas Nojentas, Idéias Bolorentas (Melhoramentos) que se baseou na Cecília, uma sobrinha minha. Breve, sairá um outro que conta a vida do amigo de um dos meus filhos. Qual o poema de Cecília Meireles que você mais gosta? Eu amo a Cecília Meireles! O poema que mais gosto é Motivo da Rosa. Muito lindo.
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O que você gostaria de falar para as crianças que freqüentam esse blog ?
Digo que leiam. Quem não sabe ler, que peça a alguém para contar. Quem sabe e não tem livro, que vá a uma biblioteca, peça livro emprestado. Leiam, crianças! Ler é viajar pelo campo, pelo céu, pelo mar, pelos sentimentos. Ler é conhecer o mundo sem sair de casa; sem passaporte; sem precisar de dinheiro. Ler é alçar o mais alto vôo e captar o mundo com a imaginação. Beijocas mil pra vocês! SMACK!
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14 de abr de 2007

Entrevista com Roseana Murray

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Sobre Roseana:
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Nasceu no Rio de Janeiro em 1950. Graduou-se em Literatura e Língua Francesa em 1973 (Universidade de Nancy).
Publicou seu primeiro livro infantil em 1980 (“Fardo de Carinho”, ed. Murinho, R.J). Em 2005, tem 43 títulos publicados, dois livros publicados no México. Seus poemas estão em antologias na Espanha. Tem poemas traduzidos em seis linguas ( in “Um Deus para 2000”, Juan Arias e “Maria, esta grande desconhecida”, Juan Arias.)
Recebeu o Prêmio “O Melhor de Poesia” da FNLIJ nos anos 1986 (“Fruta no Ponto, ed. FTD), 1990 (“Artes e Ofícios”, ed. FTD) e 1997 (“Receitas de Olhar”).
Recebeu o Prêmio Associação Paulista de Críticos de Arte em 1990 para o livro “Artes e Ofícios”, ed. FTD, S.P.Entrou para a Lista de Honra do I.B.B.Y em 1994 tendo recebido seu diploma em Sevilha, Espanha.
Recebeu o Prêmio Academia Brasileira de Letras em 2002 para o livro “Jardins” ed. Manati, R.J.
Participou ao longo destes anos de vários projetos de leitura. Implantou em Saquarema, em 2003, junto com a Secretaria Municipal de Educação, o Projeto “Saquarema, Uma Onda de Leitura”.

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Alguns dos seus livros :


Desertos, ed. Objetiva
O traço e a traça, ed. Scpionne
O xale azul da sereia, ed. Larrousse
O que cabe no bolso? ed. DCL
Paisagens, ed. Lê
Pêra, uva ou maçã? ed. Scipione
Rios da Alegria, ed. Moderna
Maria Fumaça Cheia de Graça, ed. Larousse
Duas Amigas, ed. Paulus
Lua Cheia Amarela, ed. Dimensão
Caixinha de Música, ed. Manati
Um Gato Marinheiro, ed. DCL
Luna, Merlin e Outros Habitantes, ed. Miguilim
Jardins, ed. Manati,
Caminhos da Magia, ed. DCL, 2001.
Receitas de Olhar, ed. F.T.D
Carona no Jipe, ed. Memórias Futuras
No final do Arco-Íris, ed. José Olímpio
O Mar e os Sonhos, ed. Miguilim
Paisagens, ed. Lê
Felicidade, ed. F.T.D, 1995
De que riem os palhaços? ed. Memórias Futuras
Tantos Medos e Outras Coragens, ed. F.T.D
Qual a Palavra? ed. Nova Fronteira
Dia e Noite, ed. Memórias Futuras
Falando de Pássaros e Gatos, edições Paulus
Fruta no Ponto, ed. F.T.D
O Circo, ed. Miguilim
O Traço e a Traça, ed. Memórias Futuras
No Mundo da Lua, ed. Miguilim
Um Avô e seu Neto, ed. Moderna
Um cachorro para Maya, ed Salamandra
Uma História de Fadas e Elfos, ed. Miguilim
O Fio da Meada, ed. Memórias Futuras
O Buraco no Céu, ed. Memórias Futuras
Poesia essencial, ed. Manati
Pássaros do Absurdo, ed. Tchê
Paredes Vazadas, ed. Memórias Futuras
Poesia essencial, ed. Manati



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ENTREVISTANDO ROSEANA MURRAY

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Onde você nasceu e como era a sua cidade?
Nascí no Rio de Janeiro, em Botafogo , em 1950. Durante a minha infância, no Bairro do Grajaú, a cidade era calma e agradável.
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Como foi a sua infância ?
A minha infância foi um pouco triste, pois eu era filha de imigrantes judeus poloneses e a memória da guerra ainda era muito próxima .
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Como era a escola onde você estudou?
Estudei primeiro na Escola Francisco Manoel, escola municipal. Não era ruim, eu gostava. Ganhei alguns concursos de redação. Depois fiz o ginásio no Colégio Hebreu Brasileiro, na Tijuca. Era um pouco amendrontador, muita disciplina, mas tive uma professora de português maravilhosa, que me apresentou a autores maravilhosos, Rosa Hermann. E aprendí a falar fluentemente hebraico, mas com o passar dos anos fui esquecendo e já não falo mais nem uma palavra.
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Quais eram os livros que você gostava de ler ?
Quando criança eu amava o Sítio do Pica-Pau Amarelo, na verdade eu morava lá, já que minha casa era muito triste. Lia os contos de fada do Tesouro da Juventude , amava a Fada Menina e depois ia lendo tudo o que me caia nas mãos. Eu fazia aula de declamação, adorava poesia.
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Quando você era criança, já sonhava em ser escritora?
Eu gostava sim de escrever, mas queria ser astrônoma.
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Quando você começou a escrever ?
Escrevia criança, adolescente e quando casei , com 18 anos eu parei e só retomei com 27 anos.
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Qual foi o primeiro livro que você escreveu?
Fardo de Carinho
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Por que você escreve?
Escrevo porque gosto, porque tenho leitores, porque as editoras me pedem, porque é a minha natureza.
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Alguma história que você escreveu já aconteceu de verdade?
Sim, Um Cachorro para Maya, ed. Moderna
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Qual o poema de Cecília Meireles que você mais gosta?
Gosto de tudo o que ela escreveu, já que ela é uma fonte de música cristalina. Todos bebemos em sua fonte.
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O que você gostaria de falar para as crianças que freqüentam esse blog ?
Poesia tira o que a gente tem de melhor de dentro da gente. E todos nascemos poetas, depois a gente vai esquecendo.
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7 de abr de 2007

Entrevista com António Garcia Barreto


Acabei de entrevistar o querido escritor português António Garcia Barreto para o meu blog O MUNDO ENCANTADO DE CECÍLIA MEIRELES.



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.Vou compartilhar com vocês esta entrevista presenteada por António:
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P –
Onde você nasceu e como era a sua cidade?
Eu nasci em Amadora, localidade situada no perímetro da Grande Lisboa, hoje cidade e sede de concelho com cerca de 250 000 habitantes. Quando eu era criança o lugar era muito interessante. Tinha (e continua a ter) estação de caminhos-de-ferro (linha Lisboa-Sintra), um clube de futebol, o Estrela da Amadora, hoje na 1.ª Liga de Futebol, e um outro, a Associação Académica da Amadora, ligada ao hóquei em patins e à ginástica; um cinema e uma Academia Militar, onde se formavam os oficiais do Exército, no lugar onde antes existira um campo de Aviação. Nessa altura toda a gente se conhecia. Hoje ninguém se conhece. Mas há muitos anos que não moro lá.
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P – Como foi a sua infância?

Fui uma criança muito feliz, educada por duas famílias. Frequentei a escola privada e a escola pública. Dizem que era bom aluno, mas estudava pouco. Tinha muitos amigos, que a Guerra Colonial, em que participei, depois separou, definitivamente. Jogava muito à bola, metia-me em aventuras, lia muitos livros, sobretudo livros aos quadradinhos ou banda desenhada.
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P –
Como era a escola onde você estudou?
Como disse, estudei na escola privada e na escola pública. A qualidade do ensino era muito boa, em ambas. Mas não havia, como hoje, actividades circum-escolares, visitas a museus, bibliotecas, etc. Estudava-se pelos livros oficiais e só por esses. Era no tempo de Salazar, o ditador que governou Portugal durante 48 anos, um tempo sem liberdade para nada.
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P –
Quais eram os livros que você gostava de ler?
Contos de fadas, histórias tradicionais, aventuras de cowboys e índios em histórias aos quadradinhos. Quando já era um pouco mais crescido gostava muito de ler romances sobre a Segunda Guerra Mundial. Eu ambicionava ser oficial da marinha de guerra!
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P –
Quando você era criança já sonhava ser escritor?
Já! Eu tinha boas notas a Português e as minhas redacções eram muito elogiadas. Com doze anos comecei a escrever um romance numas grandes folhas de papel de 35 linhas, usado na época. Claro que não passei das primeiras vinte páginas, ou coisa parecida.
.P – Quando você começou a escrever?
Por volta dos meus 17 anos ganhei o meu primeiro prémio num concurso de contos no Liceu. A partir daí escrevi cada vez mais. Primeiro publicava nos jornais poesia e pequenas crónicas, até que um dia surgiu a oportunidade de publicar o meu primeiro livro.
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P –
Qual foi o primeiro livro que você escreveu?
Foi um pequeno livro para crianças intitulado «Botão Procura Casa». No ano de 1977.
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P –
Por que você escreve?
Porque não consigo viver sem escrever. Preciso de escrever todos os dias. Ou quase todos. Escrever é um trabalho… que dá muito trabalho! Escrever é o meu jeito de falar com os outros. É assim como sentir fome e sede, o que nos leva de imediato a comer e a beber para nos sentirmos bem. Por isso, eu escrevo para me sentir bem.
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P –
Alguma história que você escreveu já aconteceu de verdade?
O escritor mistura factos reais com o que vai na sua imaginação, aquilo que viu e sentiu, aquilo em que participou. É daí que nascem os livros. Algumas coisas que escrevi aconteceram mesmo, mas um escritor reinventa o que viveu e sentiu no acto de escrever. Como disse Fernando Pessoa: “O Poeta é um fingidor/finge tão completamente/que chega a fingir que é dor/a dor que deveras sente"
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P –
Qual o poema de Cecília Meireles que você mais gosta?
Gosto de vários. Cecília Meireles é uma grande poeta (poetisa?) da língua portuguesa. Mas agora apetece-me este poema. Talvez por eu morar próximo do mar. O poema chama-se Canção.
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Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
– depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar.

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Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre dos meus dedos
colore as areias desertas.

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O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio…


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Chorarei quando for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.


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Depois, tudo estará perfeito:
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.

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P – O que você gostaria de falar para as crianças que frequentam esse blog?
Que sejam muito felizes. Que se divirtam. Que leiam e estudem. Que gostem dos seus amigos. Que protejam o ambiente e que ensinem aos mais velhos como devem fazê-lo! Que plantem árvores, para respirarmos melhor. Que escrevam. Que sorriam. Que sonhem. E que nunca se esqueçam que ainda há muitas crianças que querem ser felizes. Ajudem-nas, sempre que possível. Porque melhor que um sorriso, são dois sorrisos.


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LIVROS PUBLICADOS

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«Conta Comigo, Pai!», Ambar, Porto, 2006
«A Mitra Desaparecida», Ambar, Porto, 2006
«Uma Zebra ao Telefone», Ambar, Porto, 2006
«À Sombra das Acácias Vermelhas», Roma Editora, Lisboa, 2006
«Ensina-me a Namorar», Campo das Letras, Porto, 2005
«Amanhã Regresso a Casa», Ambar, Porto, 2004
«Dicionário de Literatura Infantil Portuguesa», Campo das Letra, Porto, 2002
«Literatura para Crianças e Jovens em Portugal», Campo das Letras, Porto, 1998
«Contos do Amor Breve», Contemporânea Editora, Matosinhos, 2000
«Rubens e a Companhia do Espanto em O Caso da Mitra Desaparecida», Sintra, 2001 (Prémio Literário de Sintra de Literatura Infanto-Juvenil – Adolfo Simões Müller, 2000)
«A Cidade dos Lacraus», Editorial Escritor, Lisboa, 1994
«O Caso da Máscara Desmascarada», Série Brigada Azul, Vega, Lisboa, 2002
«O Caso da Cobra com Asas», Série Brigada Azul, Vega, Lisboa, 2000
«O Luxo da Gata Mafalda», ASA, Porto, 1.ª ed., 1986
«Triângulo de Guerra», MAR-FIM, Sintra, 1988
«A Malta da Rua dos Plátanos», Editorial Caminho, Lisboa, 1981
«Eu Vou Contar a História do Livro», Edições Nave, Lisboa, s/d,
«Um Hipopótamo com Soluços», Edições Nave, Lisboa, 1985
«Tobias, um Gato com Manias», Edições Ró, Cacém, 1982
«Na-Nu, o menino que estudava num livro de pedra», Editorial Caminho, Lisboa, 1979
«História das Três Janelas e outras histórias», Plátano Editora, Lisboa, 1977
«Na Rua Onde Moro», Plátano Editora, Lisboa, 1.ª ed., 1981
«Botão Procura Casa», Plátano Editora, 1.ª ed., 1977