18 de jun de 2008

BANZAI! BANZAI! BANZAI! 100 ANOS DE IMIGRAÇÃO JAPONESA NO BRASIL!

hyaku nen no
keshiki o niwa no
ochiba kana
.
Cem anos de idade —
A paisagem das folhas
Caídas no jardim.
.
Bashô
.
Nasci em Pacaembu, uma cidade colonizada principalmente por imigrantes japoneses. Cresci entre dois grupos que marcaram a minha maneira de viver e de amar, de um lado os japoneses, do outro, os italianos.
Comemorar os 100 anos da imigração japonesa no Brasil, é falar sobre uma parte da minha história.

Pacaembu no final da década de 40
Pharmácia Moderna e Alfaiataria SSAITO

Palavras escritas nas duas línguas

Minha mãe com uma das suas afilhadas

Família amiga

Aniversário de um amiguinho
(Sou a primeira menina do lado esquerdo da foto)

Amigas queridas do grupo escolar


BANZAI FAMÍLIA MYIATA !


Os Myiatas formavam uma grande família e viviam todos juntos na casa principal da fazenda.
Maria Myiata sempre se hospedava em minha casa, por causa dos tratamentos que fazia. Dizia que seu estômago estava caído, usava um colete apertado, mas não conseguia se livrar do problema.

Maria Myiata

Maria acompanhou minha mãe em sua árdua luta contra o meu primeiro incômodo: um umbigo saltado na barriga. Fizeram de tudo, usaram moedas, amarraram coisas, colocaram misturas caseiras, mas nada adiantava. Foi quando conheceram uma benzedeira que fazia milagres.
E lá fomos nós para a benzedeira: Maria, mamãe e eu. Seguimos o ritual ao pé da letra, sem faltar ou atrasar um dia sequer. No sétimo dia, a surpresa: o umbigo misteriosamente já estava no lugar.
Seu Myiata trouxe do Japão uma arte que estava relacionada com o cotidiano dos japoneses, o artesanato com bambu. Ele passava horas sentado num banquinho, mergulhado entre a saudade da sua terra e a criatividade. Enquanto trabalhava, surgiam balaios, peneiras, lanternas, móveis , sombrinhas, leques... Objetos que eram presenteados aos filhos, vizinhos e amigos.

Mamãe e o Pé-de-bode

Certo dia, minha mãe alugou um Pé-de-bode, queria visitar os Myiatas. Num instante, já estávamos saculejando por aquele estradão de terra: mamãe, tia Alzira e eu. O carro era minúsculo, mal dava para respirar. No caminho passamos por uma ponte alta, ponte velha, estreita, depois começamos uma subida íngreme. No início, o carro já começou a mostrar sinais de cansaço. No meio, começou a falhar e, de repente, morreu. Morreu e foi despencando ladeira abaixo e só parou num tronco pertinho da ponte de madeira.
Não sei como chegamos no sítio dos Myiatas. Não sei o que minha mãe falou para o motorista quando a poeira baixou, mas sei que nunca mais andei de Pé-de-bode em toda a minha vida.
.
osoki hi no tsumorite tôki mukashi kana
Dias que se alongam —
Cada vez mais distantes
Os tempos de outrora!
.
( Na próxima postagem: BANZAI FAMÍLIA KAVASHIMA! )

8 comentários:

Lunna Montez'zinny disse...

Histórias, a saudade é uma amiga gentil e generosa para com a gente, não acha? Porque é através dela que as lembranças encontram espaço em nossa pele e nos permite reviver momentos que tiveram diferentes significados e acho que é através dela que continuamos vivendo, mesmo depois que tudo se acaba.
Abraços meus caríssima

Maria Augusta disse...

Que delícia ler estas passagens de vida, que lembranças maravilhosas, obrigada por compartilhá-las conosco.Também tenho muito carinho pela colônia japonesa do Brasil, algumas de minhas melhores amigas fazem parte dela.
Beijos e uma boa semana para você.

Juℓi Ribeiro disse...

Leonor:

Fiquei encantada!
Que história maravilhosa!
Fiquei emocionada...

"A recordação é uma forma de encontro" (Gibran)

Receba um abraço, meu carinho
e admiração.

Sonia Regly disse...

Querida Leonor,
Estou linkando seu belo Blog e te colocando como favoritos nos Blogs blogs.Beijinhos.

Sonia Regly disse...

Amiga Leonor,
Já linkei seu Blog, vai lá conferir, ficou legal!!!!
Coloquei um lindo slide sobre o meio ambiente.BJS

Luma disse...

Tão bom quando se tem boas coisas para lembrar!! Pé de bode!! Quanto tempo não ouvia isso!! Beijus

Anônimo disse...

Oi Leonor, eu sou a Maria Miyata da foto publicada,fiquei muito feliz em rever as fotos da minha família e mais feliz ainda por ter falado novamente com você após tantos anos, espero podermos manter contato agora que nos reencontramos....
Anota meu email esta no nome do meu marido, mas sou eu quem acesso, me envie seu email ok?
augustoiamashita@hotmail.com
Abracos, Maria Miyata Iamashita

Anônimo disse...

Oi Leonor, eu sou a Maria Miyata da foto publicada,fiquei muito feliz em rever as fotos da minha família e mais feliz ainda por ter falado novamente com você após tantos anos, espero podermos manter contato agora que nos reencontramos....
Anota meu email esta no nome do meu marido, mas sou eu quem acesso, me envie seu email ok?
Abracos, Maria Miyata Iamashita