
.
Anda uma estrela pelo céu,
sozinha, arrastando um véu
de viúva.
- É a chuva.
.
Rola um soluço leve no ar,
bem longo no seu rolar,
bem lento.
- É o vento.
.
Perpassa o passo oco de algum
fantasma, quieto como um
segredo.
- É o medo.
.
Batem à porta. Abro. Quem é?
Uma alta sombra, de pé,
se eleva.
- É a treva.
.
Mas, desde então, alguém está
comigo. É inútil. Não há
remédio.
- É o tédio.
.
Guilherme de Almeida
7 comentários:
Que poema mais lindamente contruido, uma descrição e uma definição em cada verso e como ficou bonito!
beijos
Eu não conhecia este texto. Lindo! Parabéns pela escolha :)
Bonito demais... o homem sabia o que fazia! Um abraço e nenhum tédio.
Oi Leonor!!!
Estou passando mesmo para matar a saudade do blog, deixar um forte abraço e desejar um ótimo fim de semana.
Beijinhos
Ângela
Leonor,
Que texto lindo!! Adorei!! Vc nos surpreende com coisas maravilhosas.Te aguardo lá no Compartilhando as Letras.Beijos
Eu acho que visitar blogs é um bom remédio para o tédio. rsrs
Um poema muito bonito dum poeta que desconheço em absoluto.
Obrigada pela partilha.
Um abraço e boa semana
Postar um comentário