18 de out. de 2009

Andrew Wyeth
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O ofício da vida é um enriquecimento contínuo, desde que saibamos guardar-lhe as imagens e emoções no nosso mundo de reminiscências, com a inteção de fruí-las nos momentos apropriados. Para tornar ao passado, no devaneio desses momentos, não é preciso dar as costas ao presente: o dia de ontem é que reflui ao dia de hoje, trazido por uma fulguração de lembranças, e daí, nessas ocasiões, o sabor da dupla vida - a de agora e a de outrora, harmonizadas na captação do tempo perdido.
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Josué Montello - Diário Completo (VolumeI), p. 1254


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16 de out. de 2009

Breve encontro


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Este é o amor das palavras demoradas
Moradas habitadas
Nelas mora
Em memória e demora
O nosso breve encontro com a vida

.Sophia de Mello Breyner Andresen

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13 de out. de 2009

Café - Portinari
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Vim da terra vermelha e do cafezal.
As almas penadas, os brejos e as matas virgens
Acompanham-me como o espantalho,
Que é o meu auto-retrato.
Todas as coisas frágeis e pobres
Se parecem comigo.
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Candido Portinari
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10 de out. de 2009

Queridos amigos,


Sempre que minha saúde exige cuidados especiais fico quieta no meu canto para dar conta do recado. Vejo essa minha postura como limites que tenho frente a doenças crônicas que precisam de qualquer atenção maior.
Agradeço os comentários carinhosos que recebi de todos vocês.
Com afeto,

Leonor



Francisco de Zurbaran



Centenas de versos se enfileiraram
na soleira da porta.
Minha dor impede
que as palavras
quebrem o silêncio
dando significado às coisas.
O reino da solidão se instalou.
Estranha maneira de sobreviver a peste.

Leonor Cordeiro

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Presente que recebi do querido poeta José Carlos Brandão :

Leonor, versifiquei à minha maneira os seus versos. Lembre-se que continuam seus. Este é um exercício de poetar, em solidariedade:

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Os versos são cordeiros à soleira da porta.

Convivo com a minha dor e o frio do silêncio.

Sou rei da solidão sem palavras, sem sentido.

Sou estranho a mim mesmo, mas, solerte, sobrevivo.

José Carlos Brandão

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4 de out. de 2009

Gracias a La Vida

.Gracias a La Vida
(Violeta Parra)
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Gracias a la vida que me ha dado tanto.
Me dio dos luceros, que cuando los abro,
Perfecto distingo lo negro del blanco
Y en el alto cielo su fondo estrellado
Y en las multitudes el hombre que yo amo.
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Gracias a la vida que me ha dado tanto.
Me ha dado el oído que en todo su ancho
Graba noche y día, grillos y canarios,
Martillos, turbinas, ladridos, chubascos,
Y la voz tan tierna de mi bien amado
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Gracias a la vida que me ha dado tanto.
Me ha dado el sonido y el abecedario;
Con el las palabras que pienso y declaro:
Madre, amigo, hermano, y luz alumbrando
La ruta del alma del que estoy amando.
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Gracias a la vida que me ha dado tanto.
Me ha dado la marcha de mis pies cansados;
Con ellos anduve ciudades y charcos,
Playas y desiertos, montañas y llanos,
Y la casa tuya, tu calle y tu patio.
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Gracias a la vida que me ha dado tanto.
Me dio el corazón que agita su marco
Cuando miro el fruto del cerebro humano,
Cuando miro al bueno tan lejos del malo,
Cuando miro al fondo de tus ojos claros.
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Gracias a la vida que me ha dado tanto.
Me ha dado la risa y me ha dado el llanto.
Así yo distingo dicha de quebranto,
Los dos materiales que forman mi canto,
Y el canto de ustedes que es mi mismo canto,
Y el canto de todos que es mi propio canto.
Gracias a la vida que me ha dado tanto.